Os investimentos no Brasil tiveram uma semana difícil após a reeleição de Lula para mais um mandato. A bolsa de valores, que chegou a bater 200 mil pontos recentemente, caiu 17,5% na semana e 9,21% no mês de outubro. Essa queda semanal foi a quinta maior desde 1994 e a pior desde março de 2020, quando a pandemia de coronavírus começou.
O dólar, por sua vez, subiu 9,18% na semana, a maior alta do ano, e já acumula 5,31% de valorização no mês contra o real. As taxas de juros futuras também subiram bastante, com o contrato para janeiro de 2031 passando de 12,64% para 15,3%.
Para Bruna Sene, analista de investimentos, o mercado está reavaliando suas apostas. A bolsa brasileira ainda tem pontos fortes, como preços atrativos e perspectivas positivas para commodities, mas as incertezas sobre a política econômica após a vitória de Lula geram nervosismo.
Ela destaca que a chave para a valorização dos ativos está na previsibilidade fiscal, com regras claras e duradouras. Enquanto isso não acontecer, a volatilidade continuará alta. Bruna Sene recomenda investir em empresas sólidas e manter uma carteira diversificada, evitando decisões precipitadas.
Logo após a eleição, a bolsa teve uma forte queda de 13,88% em um único dia, a maior desde o início da pandemia, o que levou a interrupção temporária das negociações pelo sistema de circuit breaker.
Além da bolsa, o dólar atingiu sua maior valorização diária desde 1999, e as taxas de juros subiram rapidamente. A reação dos investidores foi uma reversão das altas recentes, que haviam sido impulsionadas pela expectativa de políticas fiscais mais rígidas.
A vitória de Lula levantou dúvidas quanto à adoção de medidas para equilibrar as contas públicas, o que faz o mercado exigir um prêmio de risco maior para financiar o governo, pressionando as taxas de juros para cima.
Taxas mais altas encarecem o crédito e podem prejudicar os lucros das empresas, afetando negativamente a bolsa de valores.
Instituições financeiras preveem que a volatilidade deve continuar. O BTG projeta que o quarto mandato de Lula será desafiador e que será necessário negociação com o centrão para aprovar medidas importantes. O banco estima uma queda adicional nas ações nas próximas semanas, com o índice Ibovespa em torno de 170 mil pontos, e uma desvalorização do real entre 10% e 15%.
Além disso, juros altos, câmbio desvalorizado e incertezas sobre política fiscal dificultam cortes mais agressivos na taxa básica de juros pelo Banco Central, aumentando a pressão sobre o mercado acionário.
Quanto ao dólar, o Morgan Stanley acredita que a moeda americana poderá chegar a valores entre R$ 5,50 e R$ 5,70 caso o risco fiscal se mantenha elevado. Em um cenário mais pessimista, a cotação poderia se aproximar de R$ 6. Já o JPMorgan prevê o dólar em R$ 5,50 nas próximas semanas, enquanto o UBS aponta R$ 5,40 como primeiro patamar importante. Embora juros altos sustentem o real, a falta de certezas sobre as finanças públicas deve ser o principal fator de pressão para a moeda.

