A Bolsa de Valores brasileira está apresentando forte alta nesta quinta-feira (22), continuando o bom desempenho dos últimos dias, impulsionada pelo clima positivo no cenário internacional.
O presidente Donald Trump anunciou que está perto de fechar um acordo sobre a Groenlândia e suspendeu a ameaça de tarifas contra oito países europeus. Além disso, analistas avaliam dados recentes dos Estados Unidos sobre inflação e economia.
Às 11h50, o índice Ibovespa subiu 1,74%, chegando a 174.815 pontos, aproximando-se do recorde histórico pelo quarto dia seguido. Durante a sessão, chegou a atingir 175.050 pontos. Na quarta-feira, o Ibovespa ultrapassou várias marcas históricas consecutivas.
O dólar, por sua vez, está estável, com uma leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,316.
Donald Trump compartilhou em sua rede social que houve um acordo preliminar sobre a Groenlândia e toda a região do Ártico, o que levou ao cancelamento das tarifas programadas para começar em 1º de fevereiro.
Esse recuo foi interpretado como uma mudança de postura após reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Mais cedo, Trump também descartou o uso da força para tomar a ilha, em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.
Essa oscilação nas decisões de Trump tem causado os investidores a diversificarem suas carteiras, reduzindo exposição aos mercados dos EUA e favorecendo os mercados emergentes, como o Brasil.
Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, destaca que os investidores estão reavaliando riscos, buscando locais onde o preço compensa o risco. O capital global está se movendo, não desaparece.
Especialistas ressaltam que o Brasil possui vantagens atrativas, como a taxa Selic elevada em 15% ao ano e a presença de empresas ligadas a commodities importantes como petróleo e minério de ferro. Apesar dos recordes, a Bolsa ainda está com preços considerados abaixo da média histórica, o que a torna atrativa.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, observa que o alívio nas tensões geopolíticas tem atraído capital estrangeiro para a Bolsa brasileira. Ele prevê que o movimento deve continuar até abril, antes do início do período eleitoral, que trará maior volatilidade.
A entrada de investidores estrangeiros também influencia o câmbio, pois eles precisam comprar reais para investir, o que pressionaria a moeda local.
José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, afirma que o dólar provavelmente cairá para cerca de R$ 5,25 e recomenda apenas compras de curto prazo.
O recuo de Trump sobre a Groenlândia contribui para estimular investimentos mais arriscados, beneficiando o mercado emergente brasileiro. Bolsas europeias também apresentam ganhos superiores a 1%, e o dólar cai frente a moedas de países emergentes.
O Produto Interno Bruto dos EUA cresceu 4,4% no terceiro trimestre de 2025, o ritmo mais rápido desde 2023. Os gastos dos consumidores também aumentaram 3,5%, indicador importante para a política monetária do Federal Reserve.
Tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central do Brasil devem manter suas taxas de juros inalteradas na próxima semana, com o Fed Funds em torno de 3,5% a 3,75% e a Selic em 15%.
