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Economia

Bolsa para negociações após vitória de Lula

Foto por ANGELA WEISS / AFP

A Bolsa brasileira interrompeu as negociações nesta segunda-feira (26), após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, causando forte queda nos ativos brasileiros. Essa é a primeira vez que essa paralisação ocorre desde março de 2020, período da pandemia de coronavírus.

Essa pausa temporária, chamada de circuit breaker, é acionada para evitar grandes perdas em momentos de queda abrupta. Durante esse tempo, a compra e venda de ações, derivativos e títulos privados ficam suspensas para que o mercado se acalme.

O mecanismo entra em ação quando o índice Ibovespa cai para determinados níveis. Se a queda atingir 10% em relação ao fechamento anterior, as operações param por 30 minutos. Se cair 15%, a paralisação dura uma hora. Uma queda de 20% pode levar a Bolsa a suspender novamente as negociações pelo tempo que decidir.

Na manhã do mesmo dia, o dólar subiu 9,22%, alcançando R$ 5,445, enquanto as taxas dos contratos de DI, que indicam as expectativas para os juros futuros, avançaram até 290 pontos-base.

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O indicador conhecido como risco-Brasil, que reflete a confiança dos investidores no país, aumentou 22% às 11h50. Esse aumento indica que o mercado está mais cauteloso quanto à capacidade do Brasil de pagar suas dívidas, o que pode tornar mais caro captar recursos no exterior para empresas e governo.

Essa queda significativa interrompe os ganhos observados após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro liderava com 47,03% dos votos válidos, e Lula, então presidente, tinha 45,16%.

Após a primeira etapa da eleição, a Bolsa subiu 7,70%, atingindo 206.911 pontos, um recorde nominal e real. O dólar caiu 4,11%, chegando a R$ 5,001, a maior queda de fechamento desde 2018, quando a moeda recuou 5,50% em um só dia.

Desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, em agosto, a Bolsa acumulava alta de 15,3%.

O desempenho positivo após o primeiro turno refletia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de medidas fiscais mais rígidas. Para investidores, a continuação de Lula na Presidência aumenta a preocupação sobre a falta de ações eficazes para ajustar as contas públicas.

Essa expectativa de menor controle fiscal tende a aumentar o risco percebido pelos investidores, pressionando as taxas de juros e encarecendo o crédito para empresas, o que pode reduzir os lucros e afetar o mercado de ações.

Especialistas do mercado já previam essa reação. Uma pesquisa do Citibank com 73 gestores de fundos indicou que 80% esperavam uma queda maior que 5% no Ibovespa nesta segunda-feira. Outros 7% previam recuo entre 1% e 5%, e 3% uma valorização entre 1% e 5%.

No mercado de câmbio, 63% dos gestores esperavam desvalorização do real acima de 5%, 28% estimavam queda entre 2% e 5%, enquanto 6% previam valorização acima de 5% da moeda brasileira.

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