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Economia

Bolsa cai mais de 2% após eleição e balanços; dólar espera decisão do Fed

Nelson Almeida/AFP

O dólar caiu nesta quarta-feira (28), enquanto investidores aguardam o anúncio do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, sobre a taxa de juros. Às 10h50, a moeda americana estava cotada a R$ 5,320, com queda de 0,51%.

O mercado acredita que o Fed vai manter os juros entre 3,75% e 4% ao ano, especialmente com as eleições de meio de mandato nos EUA se aproximando. O banco central espera sinais mais claros da inflação antes de decidir por possíveis aumentos.

Segundo a ferramenta FedWatch, da CME Group, 90,6% dos investidores apostam na manutenção da taxa e 9,4% acreditam em alta de 0,25 ponto percentual, passando para a faixa de 4% a 4,25% ao ano.

No mesmo horário, o Ibovespa caiu 2,40%, alcançando 171.481 pontos, pressionado pela correção após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato. O resultado surpreendeu investidores que esperavam a vitória do senador Flávio Bolsonaro.

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Destaque para a queda das ações do Santander, que divulgou seu balanço trimestral com lucro 28% menor em comparação ao mesmo período do ano anterior e queda de 4,3% em relação ao segundo trimestre de 2026.

Outros grandes bancos e empresas sensíveis a juros altos, como Azzas, Hapvida e Magazine Luiza, também registraram quedas nas ações.

Essa desvalorização reflete a preocupação que políticas de gastos elevados do governo Lula podem dificultar o controle da dívida pública e a redução dos juros. Juros mais altos tornam o crédito mais caro, prejudicam o consumo e aumentam os custos para as empresas, impactando seus resultados.

No mercado de juros futuros, as taxas apresentavam queda nas posições de curto prazo e estabilidade nos prazos longos, após forte alta registrada na segunda-feira (26), após o segundo turno. Às 10h40, a taxa para contratos com vencimento em janeiro de 2028 era 14,325%, caindo 0,40%, enquanto a de janeiro de 2025 subia 0,09%.

Investidores também aguardam anúncios do governo sobre a equipe econômica e propostas de ajuste fiscal para o próximo mandato.

O anúncio do Fed está marcado para as 15h (horário de Brasília), seguido por coletiva com o presidente do banco central americano, Kevin Warsh, às 15h30. A atenção maior será para as indicações sobre a reunião de dezembro, pois Warsh tem evitado antecipar decisões sobre a política monetária.

A cautela antes da decisão pode aumentar a procura pelo dólar como proteção. Às 10h55, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a seis moedas fortes, operava estável.

Juliana Benvenuto, especialista em investimentos da Avenue, explica que a chance de manutenção dos juros aumentou após os dados recentes da economia americana.

“O índice de inflação ao consumidor (CPI) veio acima do esperado, mas o mercado de trabalho está relativamente forte, apesar de sinais de desaceleração”, afirma.

De acordo com a especialista, o Fed continua focado em controlar a inflação, mas não sente urgência para elevar os juros neste momento. Por isso, o mercado considera improvável um aumento hoje, apesar de a possibilidade para dezembro ainda existir.

Em Wall Street, as bolsas americanas operavam em alta às 10h43; o Dow Jones avançava 0,14%, o S&P 500 subia 0,60% e o Nasdaq crescia 0,15%.

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