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quarta-feira, 04/02/2026

Bolsa cai com resultados e dados dos EUA; dólar está estável

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A Bolsa de Valores brasileira registrou uma queda significativa nesta quarta-feira (4), principalmente por causa da baixa nas ações de bancos e pela venda de ações para garantir lucros após o índice Ibovespa alcançar seu recorde na véspera (3).

O dia também foi marcado pela divulgação dos resultados financeiros de empresas brasileiras e pela possível indicação de Guilherme Mello para o Banco Central.

Investidores ficaram atentos a dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos que ficaram abaixo do esperado.

Às 13h15, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, caiu 1,91%, ficando em 182.121 pontos. No mesmo horário, o dólar teve pequena alta de 0,09%, cotado a R$ 5,253.

Nas últimas semanas, a Bolsa foi beneficiada pelo aumento do interesse em risco e a entrada de capital estrangeiro no Brasil. Um levantamento da consultoria Elos Ayta mostrou que, em janeiro, o volume investido por estrangeiros na B3 foi maior que o total de todo o ano de 2025.

Na véspera, o Ibovespa subiu 1,57%, fechando em 185.674 pontos, renovando seu recorde, impulsionado pelo apetite ao risco e o fluxo de investidores internacionais.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a queda de hoje está ligada à venda de ações para garantir lucros, após a alta recente.

Alison Correia, da Dom Investimentos, concorda e chama o movimento de correção, citando quedas em ações da Petrobras e Itaú.

Além disso, os analistas reagiram ao relatório da ADP, que mostrou a criação de 22 mil vagas no setor privado dos EUA em janeiro, número abaixo da previsão média de 48 mil vagas.

Essa menor criação de empregos indica menor pressão para a inflação e aumenta a chance de redução dos juros nos EUA, o que pode influenciar o dólar, comenta Alison Correia. Isso atrai capital para o Brasil por meio do chamado “carry trade”, que reforça o real.

Atualmente, os juros nos EUA estão entre 3,5% e 3,75%, e há 90% de chance, segundo a ferramenta FedWatch, de que o Fed mantenha a taxa na próxima reunião de março.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou estar preparado para ajustar as decisões de juros conforme os dados econômicos.

No entanto, o ex-presidente Donald Trump pressiona por cortes mais agressivos e indicou Kevin Warsh para substituir Powell em maio, indicação que precisará do aval do Senado. Warsh é considerado defensor de juros mais altos, mas pode ser mais flexível que o esperado, segundo Gabriel Cecco, da Valor Investimentos.

No Brasil, o foco está na temporada de balanços. O Santander Brasil divulgou lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, praticamente em linha com as projeções.

Mesmo assim, as ações do Santander caíram cerca de 2,30%, refletindo uma correção, segundo Daniel Teles, da Valor Investimentos.

O Itaú divulgará seus resultados mais tarde nesta quarta-feira.

Outro ponto no radar dos investidores é a possível indicação de Guilherme Mello, secretário de política econômica da Fazenda, para o Banco Central. Sua nomeação pode indicar maior influência do PT no órgão, o que tem causado cautela no mercado.

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) apresentaram alta nesta manhã, refletindo essa insegurança no mercado.

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