O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, anunciou que o banco está estudando a possibilidade de suspender temporariamente o pagamento de dívidas de algumas empresas prejudicadas pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.
Essa medida, chamada de stand-still, seria especialmente para empresas que lidam com produtos perecíveis. Uma estratégia semelhante já foi adotada para apoiar empresas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.
Aloizio Mercadante afirmou que o banco estudará a questão em conjunto com o Ministério da Fazenda e outras instituições financeiras para definir uma estratégia, focando regiões e setores mais impactados até que novas políticas de compras públicas sejam implementadas.
Ele também recebeu prefeitos de 15 cidades na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, para apresentar os detalhes do Plano Brasil Soberano, programa do Governo Federal destinado a auxiliar exportadores e trabalhadores impactados pelas tarifas americanas.
Participaram, entre outros, os prefeitos Eduardo Paes (Rio de Janeiro), Anderson Farias (São José dos Campos), Margarida Salomão (Juiz de Fora), Andrei Gonçalves (Juazeiro), e Simão Durando (Petrolina). Ainda foi representado o município de Cachoeiro de Itapemirim pelo vice-prefeito Júnior Corrêa.
Mercadante ressaltou a importância da agilidade nas ações para minimizar os prejuízos econômicos, enfatizando que a equipe fará visitas aos municípios mais afetados e realizará audiências públicas com empresários para detalhar as linhas de crédito disponíveis.
Linhas de crédito
Na semana anterior, o BNDES divulgou detalhes dos recursos que serão oferecidos para ajudar as empresas brasileiras exportadoras. Terão prioridade aquelas com queda superior a 5% no faturamento bruto total.
Serão disponibilizados 40 bilhões de reais divididos em quatro linhas de crédito: Capital de Giro (para despesas operacionais); Giro Diversificação (para explorar novos mercados); Bens de Capital (para aquisição de máquinas e equipamentos); e Investimento (para inovação tecnológica, adaptação produtiva e fortalecimento da cadeia produtiva).
Municípios afetados
O prefeito de Petrolina, Simão Durando, que representa o Vale do São Francisco, uma importante região exportadora de frutas tropicais como manga e uva, explicou que a tarifa americana deixou o setor em situação difícil, já que há um período limitado, entre agosto e outubro, para exportar grandes volumes dessas frutas para os EUA.
Durando pediu extensão dos prazos e acesso facilitado ao crédito para exportadores de todos os portes da região.
Também o prefeito de Franca, Alexandre Augusto Ferreira, alertou para o impacto das sobretaxas no setor calçadista, que emprega muitas pessoas e depende significativamente das exportações para os Estados Unidos.
Ferreira destacou que muitos contratos com o mercado americano estão em risco, e que os produtos têm características específicas que dificultam sua venda em outros mercados.
Tarifas americanas
As tarifas de 50% aplicadas pelos EUA sobre produtos brasileiros estão entre as mais elevadas na disputa comercial iniciada pelo presidente Donald Trump contra seus aliados.
Além dessas tarifas, foram adotadas outras medidas contra o Brasil, como investigações comerciais e sanções a autoridades brasileiras.
A situação política também interfere no contexto, com acusações e investigações relacionadas a disputas eleitorais e atos violentos que ocorreram no país.
Essas ações impactam diretamente o comércio entre Brasil e Estados Unidos, aumentando a necessidade de medidas de apoio financeiro para os setores mais afetados.