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terça-feira, 27/01/2026

Bebidas falsificadas com metanol custavam igual às originais, diz delegada

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VITOR HUGO BATISTA E PATRÍCIA PASQUINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Bebidas adulteradas com metanol, que causaram a morte de pelo menos 11 pessoas em São Paulo, tinham preço igual ao das garrafas originais, segundo a delegada da Polícia Civil de São Paulo, Isa Lea Abramavicus, responsável pela investigação de cinco mortes na capital.

Um comprovante de compra no bar Torres, na Mooca, onde duas pessoas morreram após consumir a bebida adulterada, confirma que garrafas de vodca Smirnoff com metanol custavam entre R$ 35 e R$ 39. Proprietários de bares e distribuidores relataram que a garrafa original dessa marca custa R$ 35.

“Não era para baratear, era por praticidade”, explicou Abramavicus, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania.

O dono do bar declarou que adquiriu as bebidas de um intermediário informal. O local foi fechado em operação da Polícia Civil e das vigilâncias sanitárias municipal e estadual em 30 de setembro de 2025.

Isa Lea Abramavicus disse que o proprietário desconhecia ser a bebida falsificada, já que o fornecedor era um amigo que atuava como intermediário, mas deveria ter adquirido de fontes oficiais.

O intermediário indicou Vanessa Maria da Silva como responsável pelo fornecimento. A investigação descobriu que o ex-marido de Vanessa, Renan Felizardo Martins, já havia sido preso por falsificação de bebidas, e que o pai dela, João Antônio da Silva, também estava envolvido.

Vanessa e sua família residem em São Bernardo do Campo, local com registros de intoxicação por metanol. Mandados foram cumpridos em outubro em endereços de Vanessa, onde foi encontrada uma fábrica improvisada de falsificação, contendo galões com etanol e metanol, embalagens vazias e equipamentos para lacrar garrafas.

Vanessa foi presa em flagrante. A delegada acredita que os casos de intoxicação e mortes em São Paulo, na região metropolitana e outros estados têm origem no grupo de Vanessa, que inclui ex-companheiro, pai e ex-cunhado, Gilmar Silva dos Santos.

A polícia acredita que o grupo comprava álcool etílico em postos de gasolina para diluir e fabricar vodcas, mas que o álcool já estava adulterado com metanol pelos fornecedores, sem intenção direta de causar mortes, mas para lucro.

No julgamento em dezembro, mostrado pelo programa Fantástico, Vanessa negou vender bebidas falsificadas, alegando que a fábrica funcionava em uma garagem comum e que havia materiais usados para fabricação no local.

Ela foi condenada a sete anos de prisão por adulterar substâncias alimentícias, pena que pode variar de quatro a oito anos, além de multa.

Isa Lea Abramavicus afirmou que além de Vanessa, intermediários e donos de estabelecimentos podem responder por homicídio com dolo eventual, com pena máxima de 30 anos.

Gilmar Silva dos Santos negou o uso de metanol, mas admitiu falsificar vodcas com bebidas mais baratas e apontou Vanessa como responsável pela manipulação.

O advogado de Vanessa criticou a forma como a polícia acessou os dados do celular dela, alegando ilegalidade, mas a delegada disse que a busca e apreensão foram autorizadas.

A investigação conta com mais de 5.000 áudios de Vanessa e 20 mil transações financeiras ligadas a ela, revelando o esquema.

Casos de intoxicação por metanol em São Paulo

A Secretaria de Saúde de São Paulo registrou 51 casos de intoxicação, com 11 mortes. As vítimas incluem homens e mulheres de diferentes cidades, como São Paulo, São Bernardo do Campo, Osasco, Jundiaí e Sorocaba.

Quatro mortes ainda estão sob investigação.

A secretaria monitora os casos e alerta bares e fornecedores para checarem a procedência dos produtos.

Os sintomas iniciais da intoxicação incluem dores abdominais fortes, tontura e confusão mental, semelhantes a uma ressaca, dificultando a detecção precoce.

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