ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS
O Banco Central está aumentando seu foco em decisões técnicas para avançar nas investigações das fraudes relacionadas ao Banco Master, mesmo diante de pressões externas.
Para membros do Banco Central e da Polícia Federal, a liquidação da gestora de investimentos Reag, realizada na manhã de quinta-feira (15), demonstra que o órgão regulador do sistema bancário não se deixará influenciar por tentativas de enfraquecer seu trabalho técnico de fiscalização e investigação.
Na noite anterior à liquidação, na quarta-feira (14), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visitou a sede da Polícia Federal em Brasília para uma reunião com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. O encontro teve como objetivo mostrar a união entre os dois órgãos para garantir a continuidade das investigações. Fontes da Polícia Federal reconhecem o momento delicado e ressaltam o risco de comprometimento das apurações.
Os dois líderes posaram para fotos de mãos dadas, simbolizando a cooperação entre as instituições, um sentimento também presente no colegiado de diretores do Banco Central, apesar das recentes tensões.
A visita de Galípolo à Polícia Federal ocorreu poucas horas após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, responsável pelo caso Master, emitir um despacho com cobranças ao diretor da corporação sobre a segunda fase da operação Compliance Zero, que investigou um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Master e fundos de investimentos da Reag.
No mesmo dia, o ministro do STF Alexandre de Moraes iniciou uma investigação sobre vazamentos de dados fiscais de magistrados da Corte, em uma medida preventiva similar ao inquérito das fake news. Essa investigação visa apurar se a Receita Federal ou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) estiveram envolvidos, aumentando as suspeitas de uma tentativa de conter o avanço das investigações.
O ambiente já estava tenso devido às pressões sobre o Banco Central, incluindo duas ações do Tribunal de Contas da União (TCU) relacionadas ao caso Master. Após discussões judiciais, o TCU iniciou uma inspeção na documentação do Banco Central referente ao processo Master, com coordenação entre os presidentes do TCU, Vital do Rêgo, e do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Um ministro do governo comentou que as recentes movimentações em torno das investigações do Master são complexas e difíceis de interpretar. No entanto, diante das fraudes descobertas e reconhecidas pela população, acredita-se que as investigações não sofrerão retrocessos.
Nas semanas recentes, a defesa de Vorcaro tem questionado a cooperação entre Banco Central, Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal, tentando contestar as ações que levaram à liquidação do Master e à operação Compliance Zero.
Especialistas do Banco Central destacam que a lei exige cooperação entre órgãos, especialmente aqueles responsáveis por investigação e julgamento de crimes. O Banco Central tem a obrigação legal de comunicar infrações criminais, fornecer provas e colaborar com a polícia.
