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sexta-feira, 20/03/2026




bc não quer mais tempo para brb resolver prejuízo Master

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NATHALIA GARCIA E ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Banco Central não está disposto a conceder prorrogação para que o BRB (Banco de Brasília) encontre uma solução para cobrir as perdas causadas por transações feitas com o Banco Master. A autoridade monetária tem pressionado o governo do Distrito Federal, que é o principal acionista do banco, a agir com mais empenho.

O BRB está tendo dificuldades para cumprir o prazo original, que é 31 de março, para divulgar os resultados do ano anterior e está tentando negociar uma extensão. Até essa data, deve mostrar como pretende cobrir o prejuízo no balanço e resolver a crise desencadeada pela compra de créditos fraudulentos do Master.

O banco adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Master, segundo as investigações, mas garantiu ter recuperado parte desse valor. O montante que precisa ser reservado atualmente é de R$ 8,8 bilhões. No entanto, uma auditoria independente contratada pelo BRB apontou um valor maior, de R$ 13,3 bilhões, referente a carteiras de crédito suspeitas de falta de lastro adequado.

A situação se tornou ainda mais urgente depois do cancelamento da assembleia extraordinária dos acionistas marcada para esta quarta-feira (18). No Banco Central, a equipe técnica não demonstra vontade de fazer uma exceção para o BRB, mesmo com os recentes acontecimentos.

Um especialista afirmou que o governo do Distrito Federal possui ferramentas para agir e salvar o banco.

Até o momento, o pedido formal para aumentar o prazo ainda não foi enviado à alta direção do Banco Central. Quem está negociando destaca que o pedido não é para adiar as datas, mas para lidar com os problemas que o banco enfrentaria caso não divulgue seus demonstrativos financeiros, como a perda de confiança por ausência de divulgação há sete meses.

O presidente do BRB, Nelson Souza, havia prometido apresentar o balanço de 2025 com uma solução para aporte de capital. Porém, isso se tornou mais complicado agora que os bancos que tinham sinalizado apoio decidiram frear devido às dificuldades que o BRB encontra para obter suporte do governador Ibaneis Rocha na captação desses recursos.

Recentemente, foi sancionada uma lei que autoriza o governo do Distrito Federal a tomar medidas para ajudar o banco, incluindo a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou outras instituições financeiras.

Além disso, nove imóveis foram listados para venda, transferência, uso como garantia em empréstimos ou para compor fundos de investimento.

Se o BRB não apresentar uma solução dentro do prazo, o Banco Central pode adotar medidas mais severas. Entre as opções estão o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), intervenção ou liquidação extrajudicial.

O risco real do BC impor o Raet ao BRB já era conhecido desde fevereiro, quando o governador Ibaneis resistiu a firmar um compromisso firme com o órgão regulador para capitalizar o banco. Ele só assinou o acordo depois de ser informado de que poderia ter seus bens pessoais bloqueados em caso de intervenção.

No Raet, o banco continua funcionando, mas seus dirigentes são substituídos por uma entidade especializada com plenos poderes de gestão. A intervenção suspende temporariamente as atividades, com duração máxima de 12 meses, e é aplicada quando há chance de recuperação.

Na liquidação extrajudicial, o banco cessa suas operações e é retirado do sistema financeiro de forma organizada, medida adotada em casos de insolvência irreversível.

A escolha dos imóveis pelo governo do Distrito Federal para ajudar o BRB gerou controvérsia. Decisões judiciais conflitantes sobre o uso desses bens atrapalharam a estratégia do presidente do banco na criação de um fundo imobiliário.

Fontes indicaram que investidores interessados no fundo ficaram hesitantes após uma liminar da Justiça do DF bloquear o uso dos imóveis. Essa decisão foi revertida após recurso feito pelo governo e pelo banco.

Essas fontes reconhecem que, se os problemas jurídicos não forem resolvidos a tempo, o fundo imobiliário não conseguirá atrair investidores suficientes para salvar o banco.




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