TAMARA NASSIF
FOLHAPRESS
O Banco Central (BC) tem pontos importantes a melhorar depois do caso do Banco Master, conforme afirmou Gilneu Vivan, diretor de Regulação e Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC.
Em um evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) na última segunda-feira (9), Vivan elogiou as regras e leis que o BC possui, mas ressaltou que ajustes ainda são necessários.
O primeiro ponto destacado por Vivan foi a velocidade com que os investidores do Banco Master foram ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege clientes em casos de falência bancária.
“O sistema tem dois objetivos principais. O primeiro é proteger o dinheiro dos clientes, e acredito que estamos conseguindo isso. O FGC já devolveu 85% do dinheiro dos investidores do caso Master, mostrando que o sistema funciona. Também não houve mudança na captação de dinheiro por bancos pequenos e médios, indicando que o problema ficou restrito ao que devia”, explicou.
“Todos os clientes serão reembolsados, mas o processo tem demorado mais do que eu gostaria. Ainda precisamos melhorar nossa eficiência, aí temos uma lição a aprender.”
O segundo ponto envolve o impacto e o risco de propagação do problema. A digitalização financeira trouxe muitas pessoas para o sistema bancário, o que é algo positivo, disse Vivan. Porém, quase 1 milhão de clientes foram afetados pelo Master, e no caso do Will Bank, outras 7 milhões de pessoas foram impactadas.
“Em liquidações anteriores, o cenário era diferente. Agora, a situação é mais complexa, e precisamos ajustar nossos processos para essa nova realidade.”
Vivan ressaltou que o BC deve revisar algumas regras do FGC ainda este ano ou no início de 2027, sem entrar em detalhes. A lista de prioridades inclui regras para distribuição de títulos, normas para prevenção de fraudes e revisão sobre tarifas bancárias.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também participou do evento e agradeceu poder enfrentar o caso Master sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele destacou a autonomia do BC e da Polícia Federal no processo.
Galípolo justificou a liquidação do banco, citando a falta de dinheiro em caixa e os altos débitos pendentes, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
“Havia apenas 4 milhões de reais em caixa, e o banco estava com mais de 2,5 bilhões de reais atrasados no compulsório. Já existia um processo contra o banco desde o começo de 2025, e naquela semana, o banco devia mais de 120 milhões para pagar em CDBs”, explicou.
O compulsório é uma quantia que os bancos são obrigados a depositar no BC como reserva.
Galípolo ainda pontuou que a responsabilidade final é dos gestores das instituições financeiras.
“Quem decide realizar as operações é o banco e seus gestores, por sua conta e risco. É importante que isso seja entendido. Nem o BC, nem a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nem a lei tomaram essas decisões. Quem decide são os gestores, e eles devem ser responsabilizados por isso”, finalizou.
