A maioria dos bancos espera que a concessão de empréstimos diminua o ritmo em 2026, ao passo que a inadimplência deve apresentar um pequeno aumento, conforme a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), divulgada nesta quinta-feira (1º).
As instituições indicam que o total de crédito concedido cresceu 9,2% no ano passado. Para 2026, a previsão é de crescimento de 8,2%.
Esse levantamento ouviu 20 bancos entre os dias 17 e 19 de dezembro, e mostra uma ligeira melhora nas expectativas em comparação com a edição anterior, de novembro, que apontava crescimento de 8,9% para 2025 e de 7,9% para 2026.
Segundo a Febraban, essa melhora está relacionada ao aumento do crédito para empresas, impulsionado por programas do governo. Outro motivo é a estabilidade do crédito habitacional, que tem compensado a desaceleração do crédito rural.
Rubens Sardenberg, diretor de economia, regulação prudencial e riscos da Febraban, afirmou: “O aumento das projeções do saldo total de crédito para 2026 está alinhado com os dados recentes, que indicam que 2025 teve uma desaceleração gradual do mercado de crédito, mantendo um crescimento sólido, mesmo com a alta taxa Selic”.
A taxa de inadimplência ainda é uma preocupação. A previsão para 2025 permanece em 5,1%, enquanto para 2026 subiu para 5,2% (antes era 5,1%).
A pesquisa também mostrou que a maioria dos bancos (70%) acredita que o ciclo de redução da taxa Selic começará apenas em março, com uma redução de 0,50 pontos percentuais.
Além disso, metade dos participantes prevê que a inflação para 2026 ficará acima da meta do Banco Central devido a incentivos fiscais e de crédito, enquanto 35% esperam uma inflação abaixo do consenso.
Rubens Sardenberg acrescenta: “A principal questão agora parece ser a velocidade com que o Copom conseguirá reduzir os juros ao longo do ano. Por enquanto, as expectativas são conservadoras, indicando uma trajetória moderada de cortes”.
Quanto ao PIB (Produto Interno Bruto), a pesquisa revela um otimismo maior. O percentual dos que esperam um crescimento de 1,8% para 2026, conforme o Boletim Focus, aumentou de 36,4% para 55%. Já os que previam uma atividade econômica mais forte diminuíram de 18,2% para 15%.
Sobre a meta fiscal, nenhum banco acredita que o governo irá descumpri-la em 2026, porém 80% consideram que serão necessárias medidas adicionais para alcançá-la. Além disso, 45% esperam ações para controlar despesas, como bloqueios, contingenciamentos e exclusão de despesas do orçamento fiscal.

