JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
Os bancos que fazem parte do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) precisarão antecipar suas contribuições para reforçar o fundo depois do caso do Banco Master, segundo a apuração da reportagem. Os pagamentos que eram previstos para os próximos 60 meses (5 anos) serão feitos em 2026, e está sendo discutida a possibilidade de uma contribuição extra.
Em novembro de 2025, o FGC tinha um valor disponível de R$ 125 bilhões, dos quais R$ 40,6 bilhões podem ser usados para cobrir as perdas do Master. Além disso, o fundo deve pagar cerca de R$ 6,3 bilhões aos clientes do Will Bank, que foi fechado recentemente.
Depois desses pagamentos, sobrariam aproximadamente R$ 78 bilhões para novas proteções. Um possível próximo banco a usar essa garantia é o Banco Voiter, agora chamado Banco Pleno, que pertenceu ao grupo Master.
Para garantir a segurança do sistema financeiro e recompor o fundo, o FGC considera necessária a antecipação das contribuições obrigatórias dos bancos associados, que correspondem a 0,01% do total dos investimentos garantidos por cada banco.
O pagamento antecipado deve começar no primeiro trimestre, porém ainda não foi definido se será à vista ou dividido em parcelas. Se for preciso, o FGC poderá propor cobrar um valor extra de 50% do valor mensal.
Nas primeiras seis meses de 2025, os bancos associados já tinham contribuído com R$ 3,1 bilhões. Com a antecipação de cinco anos, isso significaria um aporte total de cerca de R$ 30 bilhões ao fundo.
A discussão para fortalecer o caixa do FGC veio antes do fechamento do banco do Daniel Vorcaro, que aconteceu em novembro. Os grandes bancos, que são os principais financiadores do FGC de acordo com seu capital, querem que as regras para as contribuições sejam modificadas para que bancos mais arriscados, que têm mais investimentos garantidos, paguem mais.
Está em estudo aumentar a contribuição de bancos com maior risco e as atualizações nas regras estão previstas para o segundo semestre de 2026.
O que é o FGC
O FGC é uma associação civil sem fins lucrativos e de direito privado. Seu papel é proteger os brasileiros contra falência de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central.
O fundo foi criado em 1995 após uma crise bancária, para garantir depósitos e investimentos e para tornar o sistema financeiro mais estável.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição. Também há um limite de R$ 1 milhão em um período de quatro anos, caso ocorram falências de mais de uma instituição nesse prazo. São protegidos vários tipos de investimentos, como conta corrente, poupança, CDB, LCI e LCA, de acordo com as regras do fundo.
