LUÍSA MARTINS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou à Polícia Federal que, antes do Banco Master ser liquidado, ele dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa, um valor muito baixo para um banco de porte médio.
Ele explicou que normalmente, um banco com R$ 80 bilhões em ativos teria entre R$ 3 a R$ 4 bilhões em liquidez para operar livremente, mas o Master tinha só R$ 4 milhões.
Os depoimentos de Ailton de Aquino e dos banqueiros Daniel Vorcaro (do Master) e Paulo Henrique Costa (do BRB) foram divulgados recentemente, por decisão do ministro Dias Toffoli, que lidera a investigação no Supremo Tribunal Federal.
Ailton de Aquino destacou que a falta de dinheiro disponível do banco era evidente e que o Master não possuía recursos suficientes para cumprir suas obrigações financeiras, o que gerou um processo administrativo que ainda está em andamento.
Segundo ele, o Master não conseguia cumprir o compulsório, que é a parte do dinheiro que o banco deve obrigatoriamente deixar guardada no Banco Central, vindo de depósitos dos clientes.
Ailton de Aquino ressaltou que é estranho um banco sem dinheiro disponível conseguir liberar tanto crédito para o BRB e que isso chamou a atenção das autoridades para investigar mais a fundo.
Além disso, o diretor do Banco Central disse que o BRB terá que reservar uma quantia alta para cobrir os prejuízos causados pelo Master, podendo chegar perto de R$ 5 bilhões. Até agora, já foram identificados R$ 2,6 bilhões.
Ailton de Aquino também afirmou que não sofreu nenhuma interferência política durante o processo de fiscalização, dizendo: “Como diretor de fiscalização, não recebi nenhuma pressão de autoridades para liquidar o banco”.
