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sexta-feira, 16/01/2026

Banco Master na mira: bens, negócios e conflitos

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Em Brasília

O setor financeiro e os corredores do poder em Brasília observam atentamente as movimentações de bens de Daniel Vorcaro, principal nome por trás do Banco Master. Surge uma trama complexa de negócios milionários que vão da venda de ativos para o BTG Pactual até disputas judiciais envolvendo hotéis luxuosos e investigações da Polícia Federal.

O patrimônio do banqueiro revela interesses que vão além das contas bancárias, ligando o mercado financeiro a imóveis de alto padrão e figuras importantes da política brasileira.

Para reforçar o caixa do Banco Master, o BTG Pactual comprou um pacote significativo de ativos e ações pertencentes a Vorcaro. Essa venda envolveu 56,53 milhões de ações da Light, avaliadas em R$ 378 milhões, e uma participação de 8,12% na Méliuz, equivalente a R$ 55 milhões, além de ações da Hapvida e direitos creditórios.

Um destaque dessa operação imobiliária foi a transferência do controle do edifício do Hotel Fasano Itaim, em São Paulo, para o BTG. O objetivo é conseguir capital para o Banco Master, ajudando-o a solucionar problemas de liquidez causados por ativos difíceis de vender, como precatórios judiciais. Esse aporte é fundamental para viabilizar o controverso acordo de R$ 2 bilhões com o Banco de Brasília, que está sob análise do Banco Central e é observado de perto devido à estratégia agressiva do Master, que oferece rendimentos elevados.

Empréstimos e conflito no setor hoteleiro

Enquanto reorganiza suas finanças, o empresário francês Alexandre Allard enfrenta uma disputa séria no Hotel Rosewood, em São Paulo. O local, que recebeu um empréstimo de cerca de R$ 300 milhões, está imerso em uma crise entre Allard e a holding Chow Tai Fook, baseada em Hong Kong.

Allard acusa seus parceiros de espionagem industrial e de copiar o projeto arquitetônico do hotel. Sua defesa conta que dados confidenciais foram retirados do notebook de sua advogada via pendrive para tentar reduzir sua participação. A Justiça autorizou uma perícia para proteger o projeto original de 2010 e impedir mudanças indesejadas.

Intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF)

A investigação sobre o patrimônio de Vorcaro chamou a atenção das autoridades federais. Durante uma operação, a Polícia Federal encontrou documentos sobre uma propriedade luxuosa em Trancoso, avaliada em R$ 380 milhões. O documento inclui um contrato preliminar de compra da área à beira-mar, envolvendo o deputado federal João Carlos Bacelar por R$ 250 milhões.

Embora o parlamentar negue que o negócio tenha sido concluído, a descoberta levou o ministro Dias Toffoli a transferir o caso para o STF acompanhar a investigação.

Residência influente no Lago Sul

Vorcaro possui uma mansão valiosa no Lago Sul, Brasília, avaliada em R$ 36 milhões. Com área construída de 1,7 mil metros quadrados, o imóvel foi vendido pelo empresário Márcio Machado e é conhecido por abrigar encontros da elite política, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes e líderes do Centrão. Apesar de alegar ser locatário, registros da Receita Federal indicam que o controle do imóvel está ligado ao círculo de negócios de Vorcaro.

Ativos e valores principais

  • Hotel Fasano Itaim: vendido ao BTG como parte de um pacote avaliado em bilhões para capitalizar o Banco Master.
  • Hotel Rosewood: disputado judicialmente por questões de espionagem e direitos autorais, avaliado em R$ 300 milhões.
  • Casa em Trancoso: avaliada em R$ 380 milhões, o documento apreendido pela Polícia Federal levou o caso ao STF.
  • Mansão em Brasília: imóvel de R$ 36 milhões, ponto de encontro político na capital federal.

Operação Compliance Zero e atuação do STF

A pressão judicial sobre Daniel Vorcaro aumentou com a segunda fase da Operação Compliance Zero, onde a Polícia Federal fez novas buscas em endereços ligados a ele, sua família e a investidores relacionados. A tensão elevou-se com a prisão temporária do cunhado Fabiano Zettel no aeroporto, que foi libertado poucas horas depois por ordem do ministro Dias Toffoli, com restrições de viagem e retenção de passaporte.

O ministro tem tomado medidas rigorosas na custódia das provas, criticando a atuação da Polícia Federal. Inicialmente, determinou que todo o material apreendido fosse entregue lacrado ao STF, mas voltou atrás após alertas da PF e da Procuradoria-Geral da República sobre o risco de perda de dados digitais, decidindo que as provas fiquem sob cuidado da PGR.

Relações e implicações jurídicas

A defesa de Vorcaro é composta por advogados influentes com histórico de relações profissionais com o ministro Dias Toffoli, o que chama atenção nos bastidores jurídicos. O processo passou a ser relatado pelo ministro no STF desde dezembro de 2025 devido à descoberta de documentos importantes ligados à compra da propriedade em Trancoso.

As investigações atualmente procuram entender um esquema de desvio de recursos que pode alcançar entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões, valores supostamente desviados do Banco Master para o patrimônio pessoal da família Vorcaro.

O Banco Central também identificou possíveis infiltrações de fundos suspeitos em setores legais da economia que podem estar ligados a organizações criminosas. O Banco Master está atualmente em processo de liquidação extrajudicial.

Contato e esclarecimentos

A reportagem tentou contato com Daniel Vorcaro, sem obter resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.

O BTG Pactual afirmou que não possui investimentos no ramo hoteleiro envolvido nas disputas.

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