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Economia

Banco do Brasil tem lucro maior que o esperado com ajuda de empréstimos a pessoas e tesouraria

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Após enfrentar dificuldades devido a problemas no agronegócio, o Banco do Brasil apresentou um crescimento no lucro no segundo trimestre deste ano. O lucro ajustado foi de R$ 3,9 bilhões, que representa um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e 13,9% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Esse crescimento foi impulsionado pelos resultados positivos das operações de tesouraria e pelos empréstimos a pessoas físicas, superando a previsão dos analistas que esperavam um lucro de R$ 3,776 bilhões.

A margem financeira bruta, que é a diferença entre o que o banco ganha com as operações de crédito e o que paga de juros, foi de R$ 27,5 bilhões entre abril e junho, um aumento de 12,1% em um ano. Esse aumento foi motivado principalmente pelos créditos concedidos a pessoas físicas e pelas operações da tesouraria.

O setor do agronegócio tem passado por dificuldades desde 2024, quando diversos produtores sofreram com condições climáticas adversas, como a estiagem causada pelo fenômeno El Niño. Isso fez com que a inadimplência desses clientes crescesse, atingindo 6,27% em junho, um aumento de mais de três pontos percentuais.

O índice de atrasos em pagamentos de mais de 90 dias em todo banco subiu para 5,61%, mostrando um aumento na dificuldade de alguns clientes em manter os pagamentos em dia.

Como forma de proteção contra possíveis perdas, o banco reservou R$ 18,831 bilhões para cobrir empréstimos que podem não ser pagos, valor que cresceu 8,4% em um ano.

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RSPL), que mede o quanto o banco rende em relação ao seu patrimônio, foi de 8,3%, uma leve queda em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ainda acima do primeiro trimestre deste ano.

A carteira de crédito do banco superou R$ 1,3 trilhão no final de junho de 2026, crescendo 0,6% no último trimestre e 1,5% em 12 meses. O segmento que mais cresceu foi o de pessoas físicas, com alta de 4,4% e saldo de R$ 357,6 bilhões, puxado principalmente pelos empréstimos consignados para trabalhadores CLT.

Para pessoas jurídicas, os empréstimos diminuíram 2,5% no ano, totalizando R$ 456,2 bilhões, enquanto o crédito para o agronegócio teve um crescimento modesto de 0,8%, alcançando R$ 421,6 bilhões.

Segundo a CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, o resultado positivo é fruto de uma carteira de crédito que equilibra bem o risco com o retorno, além da diversificação das fontes de captação e uma boa administração da liquidez.

Tarciana destacou ainda que o aumento das receitas com prestação de serviços se fortalece pela integração das diversas áreas do banco, enquanto os custos estão controlados graças a esforços constantes de eficiência, sem deixar de investir em pessoas e tecnologia, que são essenciais para o futuro.

Informações básicas do Banco do Brasil

  • Fundação: 1808
  • Lucro no 2º trimestre de 2026: R$ 3,9 bilhões
  • Agências: 3.931
  • Funcionários: 83.991
  • Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal
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