NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS
O Banco Central do Brasil acredita que a inflação vai aumentar até o final de 2026 e continuará acima da meta de 3% até pelo menos o terceiro trimestre de 2028, apesar da expectativa de queda depois desse período.
No relatório divulgado recentemente, o Banco Central ajustou a previsão da inflação para este ano para 3,9%, devido principalmente à alta nos preços do petróleo. Antes, a estimativa era 3,5%.
A inflação acumulada em quatro trimestres deve cair para 3,6% no início de 2026, mas depois subir novamente, alcançando 3,9% no final de 2026. Após isso, a inflação deve diminuir, chegando a 3,1% no terceiro trimestre de 2028. A meta oficial do Banco Central é 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O aumento na previsão da inflação é influenciado principalmente pela alta do preço do petróleo e pela atividade econômica mais aquecida do que o esperado, o que pode causar mais pressão sobre os preços.
A chance do índice de preços ao consumidor (IPCA) ultrapassar o limite máximo da meta subiu de 23% para 30% neste ano, indicando maior risco de inflação elevada.
Quanto ao crescimento econômico, o Banco Central manteve a previsão de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% para 2026, mas apontou que essa estimativa pode ser afetada pelas incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio.
Banco Central destacou que a guerra causou volatilidade nos mercados e que a alta nos preços do petróleo, gás e outros produtos é instável desde o início do conflito. Caso o bloqueio pelo Estreito de Ormuz dure por muito tempo ou o conflito se espalhe regionalmente, o impacto sobre a economia poderá ser forte e duradouro.
O relatório ressalta que a guerra aumenta a incerteza das projeções econômicas e que seus efeitos esperados incluem uma oferta menor de produtos, que eleva a inflação e reduz o crescimento. No entanto, alguns setores, como o petrolífero, podem ter benefícios.
O Banco Central tem uma visão mais cautelosa sobre o desempenho econômico em comparação com as projeções do governo e do mercado financeiro para este ano. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta crescimento do PIB de 2,3%, enquanto o mercado financeiro espera 1,84%.
A economia brasileira está desacelerando, especialmente em setores sensíveis às taxas de juros, o que mostra que a política monetária está funcionando para conter a inflação. A taxa básica de juros (Selic) foi mantida em 15% ao ano durante 2025, e recentemente caiu para 14,75%.
O Banco Central pretende agir com cautela nos próximos cortes de juros, aguardando maior clareza sobre o conflito no Oriente Médio antes de tomar decisões. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que essa postura conservadora permite ganhar tempo para avaliar os impactos da guerra na economia brasileira.
O crédito no país também teve sua previsão de crescimento ajustada para cima, de 8,6% para 9%, principalmente devido à expectativa de maior demanda para pessoas físicas e jurídicas.
Sobre as contas externas, o Banco Central prevê redução do déficit em transações correntes, passando de US$ 60 bilhões para US$ 58 bilhões em 2026, mostrando melhora em relação a anos anteriores. O déficit será coberto pelos investimentos estrangeiros diretos, que são esperados em US$ 70 bilhões.

