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quinta-feira, 02/04/2026

Banco Central já avisava que compra do Master pelo BRB não daria certo

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Em Brasília

FERNANDA BRIGATTI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Dois meses antes de o Banco Central proibir a compra do banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), a própria autoridade já havia informado que a operação não poderia ser aprovada.

Um documento oficial datado de 27 de junho do ano passado mostrou que técnicos do Banco Central apontaram que as informações enviadas pelos bancos foram insuficientes, dizendo que o pedido de compra não tinha condições para ser aprovado naquela forma.

O Banco Central destacou 40 pontos que precisavam de mais detalhes, relatórios e documentos para esclarecer a operação, incluindo dados contábeis e projeções financeiras, além de definir claramente o que seria comprado.

O que o BRB queria comprar do banco Master mudou várias vezes desde que enviou o pedido, em março, até a decisão final, no início de setembro.

A defesa do banco Master não quis comentar a situação. O BRB não respondeu aos contatos da reportagem.

Em junho, o Banco Central citou um relatório da consultoria PwC que mostrou problemas nos dados apresentados, incluindo falta de reconciliação de valores importantes como aplicações financeiras e empréstimos.

Essa situação foi apontada como um risco para a confiabilidade das informações e a necessidade de melhorar o controle interno dos bancos.

O Banco Central ainda pediu explicações detalhadas sobre um fundo de investimento associado ao Master, que reportou rentabilidade muito alta em pouco tempo.

Em julho, o Banco Central voltou a dizer que a proposta não poderia ser aprovada devido a problemas e falta de clareza na operação, comprometendo a viabilidade do negócio.

Este documento foi enviado às instituições financeiras cerca de 40 dias antes da decisão de barrar a compra.

O banco central fez várias tentativas de obter mais detalhes dos bancos, mas foram ignoradas ou insuficientes para analisar o pedido.

Os documentos do Banco Central foram encaminhados ao TCU (Tribunal de Contas da União), que investiga a conduta do banco central e o processo de compra do Master.

O TCU considerou que o Banco Central agiu corretamente e apontou que o BRB pode ter agido de forma arriscada ao insistir na compra mesmo após alertas de suspeita de fraudes.

O governo do Distrito Federal, maior acionista do BRB, afirmou que o banco tem uma boa governança e que as negociações faziam parte de um processo normal de negócios.

No mesmo dia em que o Banco Central pediu mais documentos, o BRB divulgou seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025.

A compra do Master, chamada de “Projeto Vórtice” pelo BRB, foi apresentada como uma estratégia para o banco se expandir nacionalmente, passando a figurar entre os dez maiores bancos do país.

O BRB pretendia adquirir 58,04% do Master, incluindo a maioria das ações com direito a voto e todas as preferenciais.

Dois meses após a compra ser recusada pelo Banco Central, o banco Master teve sua falência decretada em 2025.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso, cumpriu prisão domiciliar e voltou ao regime fechado após a polícia encontrar no seu celular mensagens que indicavam planos para ameaçar um jornalista como forma de intimidação.

As investigações mostraram que Daniel Vorcaro mantinha uma milícia privada chamada “A Turma” para ameaçar seus inimigos.

Atualmente, ele está na superintendência da Polícia Federal de Brasília, negociando um acordo de delação premiada.

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