NATHALIA GARCIA E ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O Banco Central está passando por um momento de incerteza entre seus funcionários após a abertura de uma investigação interna, solicitada pelo presidente Gabriel Galípolo, para verificar possíveis falhas na supervisão do Banco Master.
Funcionários do BC relatam que as informações sobre o caso estão sendo compartilhadas apenas com um grupo restrito, gerando dúvidas e preocupação sobre a conduta de alguns servidores. Há temores de que o Banco Central e sua equipe técnica sejam usados como bode expiatório durante as acusações envolvendo o caso.
O órgão é conhecido por seu forte senso de proteção interna, e até a escolha dos membros da comissão investigativa foi difícil, segundo relatos.
Com o andamento da investigação, Belline Santana, chefe do departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Souza, seu segundo, deixaram seus cargos. A saída foi oficializada no Diário Oficial da União na quinta-feira (29).
Não está claro se eles saíram para permitir uma investigação mais imparcial ou se já foram identificadas falhas em suas atuações.
O presidente Galípolo decidiu pela investigação para evitar resistências internas e garantir transparência após a liquidação do Banco Master.
Atualmente, não há uma opinião unânime entre os funcionários; muitos estão cautelosos e buscando entender o que realmente ocorreu no escândalo.
Alguns questionam se a saída dos chefes visa proteger o andamento da apuração, especialmente porque o diretor atual de Fiscalização, Ailton de Aquino, permaneceu no cargo.
Um servidor comentou que, devido ao segredo sobre os motivos da investigação, há uma sensação de insegurança, pois a sindicância parece focar em encontrar culpados, o que prejudica o trabalho do órgão.
Dirigentes bancários acreditam que o presidente Galípolo quer esclarecer os fatos para garantir que não haja dúvidas sobre a parte técnica do caso. Avaliam também que ele não teria autorizado a sindicância sem estar confiante em resultados positivos, incluindo aprendizados para o BC.
Até agora, não há acusações formais contra os servidores afastados. Fontes dizem que a investigação não é caça às bruxas, mas uma oportunidade para melhorar procedimentos e evitar problemas similares no futuro.
O processo é sigiloso e não tem prazo definido para conclusão. Um relatório preliminar era esperado até fevereiro, mas o tempo pode ser maior dependendo de novos desdobramentos.
A ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), que representa parte dos servidores, afirmou que acompanha a investigação com atenção e confia no trabalho técnico e responsável do BC.
Segundo a associação, os servidores trabalham com processos formais e documentados, especialmente nas áreas de fiscalização, supervisão e resolução financeira.
Procedimentos incluem controles internos, auditorias e prestação de contas, que asseguram a correção técnica e o aprimoramento contínuo das decisões.
A ANBCB reforça que avaliações e possíveis responsabilizações devem ocorrer em instâncias adequadas, baseadas em fatos comprovados e respeitando o devido processo legal.
