O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (25/9) o Relatório de Política Monetária (RPM), apresentando as projeções de inflação até 2028. A autoridade monetária reduziu a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% para 1,8% em 2026, e para 2027 a previsão é de um crescimento de 1,4%.
Segundo o BC, em 2026, os setores mais impactados negativamente serão aqueles que dependem do consumo das famílias, como a indústria e os serviços, que já apresentaram desempenho modesto no último trimestre, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a agropecuária teve uma surpresa positiva.
O Banco Central explicou que, embora o resultado geral do PIB tenha superado ligeiramente as expectativas, as surpresas positivas ocorreram principalmente em setores menos sensíveis ao ciclo econômico, destacando a agropecuária e a indústria extrativa. Por outro lado, os setores mais sujeitos às variações econômicas e o consumo das famílias tiveram desempenho abaixo do esperado.
Revisão por setor:
- Agropecuária: previsão de crescimento aumentada de 1,7% para 2,8%;
- Indústria: projeção reduzida de 2,3% para 1,5%;
- Serviços: crescimento estimado ajustado de 1,9% para 1,7%;
- Consumo das famílias: previsão revisada para baixo, de 2,1% para 1,2%.
O aumento na previsão da agropecuária é justificado pelo crescimento anual da produção de grãos projetada pelo IBGE.
Outras projeções indicam que o PIB brasileiro para 2026 deve crescer 1,88%, segundo o Focus, um pouco abaixo da estimativa da semana anterior (1,89%). Em 2025, o PIB fechou com alta de 2,3%, conforme dados do IBGE.
O governo federal havia previsto crescimento de 2,3%, mas revisou para 2% em 23 de setembro. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também revisou para cima sua previsão, estimando crescimento de 2,4% em 2026, ante 1,9% previsto em abril.
Se a projeção do BC se confirmar, o governo precisará ajustar suas despesas, pois o crescimento econômico menor impacta a arrecadação de impostos. Alcançar a meta fiscal, que prevê superávit de 0,25% do PIB, é fundamental. O piso da meta é o equilíbrio fiscal, ou seja, despesas iguais à arrecadação. O resultado esperado equivale a R$ 34,2 bilhões, com margem de tolerância para superávit ou déficit de até R$ 68,4 bilhões.
Inflação
Conforme o IBGE, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,22% nos últimos 12 meses até agosto. A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação permitida de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o índice pode variar entre 1,5% e 4,5%, conforme regras do Conselho Monetário Nacional (CMN).
O BC continuará acompanhando os indicadores econômicos para ajustar suas projeções e orientar a política monetária.
