Um estudo recente publicado na revista Nature Communications revela que a bactéria Chlamydia pneumoniae, encontrada na retina, pode estar ligada ao agravamento do Alzheimer. Pesquisadores do Cedars-Sinai Medical Center, nos Estados Unidos, conduzidos pela neurocientista Maya Koronyo-Hamaoui, descobriram que essa bactéria aparece em maior quantidade nos olhos e cérebros de pessoas com Alzheimer.
Foi observado que essa bactéria, normalmente presente no sistema respiratório, provoca mais inflamação e morte de células nervosas, além de aumentar o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, fatores que aceleram a progressão da doença. Contudo, ainda não há confirmação de que a bactéria seja a causa inicial do Alzheimer.
Maya Koronyo-Hamaoui explica que o olho pode refletir o que acontece no cérebro, destacando que exames oculares simples e não invasivos podem ajudar a identificar pessoas com risco de desenvolver Alzheimer. Experimentos em laboratório, liderados pelo biomédico Timothy Crother, mostram que a infecção pela bactéria intensifica a inflamação e acelera a degeneração dos neurônios, o que abre caminhos para tratamentos focados na infecção e inflamação.
Limitações e próximos passos
Os autores do estudo ressaltam que ainda não está comprovado que a bactéria cause Alzheimer diretamente, mas sim que ela pode agravar a doença. São necessárias novas pesquisas para entender como essa bactéria ativa processos inflamatórios e para verificar se exames na retina realmente podem prever o risco de demência de maneira segura e prática.
A conexão entre os olhos e o cérebro vem ganhando destaque entre especialistas, que acreditam que esses avanços podem resultar em novas formas de prevenir e tratar o Alzheimer e outras demências.
