A companhia aérea Azul está passando por uma grande mudança financeira, o que fez com que o valor de suas ações caísse muito rapidamente. Na manhã de quinta-feira, 8, as ações caíram 58% e passaram a valer R$ 100. Nos últimos cinco dias, a queda total ultrapassou 90%.
Essa queda já era esperada pelos especialistas do mercado financeiro. Para ajudar na reestruturação, a empresa colocou no mercado R$ 7,44 bilhões em novas ações.
São aproximadamente 723,9 bilhões de ações preferenciais, que não dão direito a voto mas têm prioridade nos dividendos, e 723,9 bilhões de ações ordinárias, que dão direito a voto.
Mesmo com esse aumento no número de ações, o valor total da empresa não mudou, pois agora há mais ações disponíveis para negociação. Isso levou os atuais donos das ações a vendê-las para ajustar o mercado.
Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, explicou que essa mudança envolve a criação de muitas novas ações com preços baixos. Ele destacou que trocar dívida por ações mostra dificuldade financeira e não crescimento. O aumento de capital ajuda a empresa a ficar melhor financeiramente, mas beneficia os credores, não os acionistas.
A Azul está em recuperação judicial nos Estados Unidos desde maio do ano passado. Em dezembro, a Justiça aprovou o plano para reorganizar a empresa, com apoio de mais de 90% dos credores envolvidos, o que causou a perda de valor para os pequenos acionistas.
Com a reorganização, os antigos donos das ações viram seu investimento perder valor, enquanto os credores receberam ações como parte do acordo.
A empresa pretende finalizar esse processo de recuperação no início deste ano. A Azul não se pronunciou sobre o assunto quando procurada.
Estadão Conteúdo.
