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sábado, 07/03/2026




Avanço do câncer de colo do útero no Brasil

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São Paulo, 06 – Durante a pandemia, a apresentadora da Band Mirelle Moschella, aos 34 anos, percebeu um problema após um sangramento intenso inesperado. Ela buscou ajuda médica e, após exames, recebeu o diagnóstico de câncer no colo do útero.

Mirelle sempre cuidou da saúde, fazendo exames ginecológicos regulares e mantendo uma vida saudável, mas mesmo assim foi diagnosticada. Após tratamentos como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, ela está livre da doença há cinco anos e agora alerta para a importância do exame regular e da atenção a sinais do corpo.

Mirelle destaca que o HPV, vírus muito comum, pode afetar qualquer pessoa e que falar abertamente sobre isso ajuda a prevenir o câncer. O estigma e o preconceito dificultam o combate à doença, segundo especialistas como Valentino Magno, chefe do Serviço de Ginecologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Alta prevalência

O Instituto Nacional de Câncer prevê um aumento de cerca de 14% nos casos de câncer de colo do útero no Brasil para o período 2026-2028, chegando a aproximadamente 19,3 mil novos casos por ano. Esse câncer é o terceiro mais comum entre as mulheres e a principal causa de morte até os 35 anos.

A Organização Mundial da Saúde afirma que quase todos os casos estão ligados à infecção persistente pelo HPV.

Conscientização e prevenção

Com o aumento dos casos, campanhas como o Março Lilás ganham destaque para promover a prevenção. Em São Paulo, a campanha “Por um Futuro Sem Câncer de Colo do Útero” criou a Casa Lilás, um espaço para discutir vacinação, exames e cuidados pessoais. A atriz Juliana Paes é embaixadora da campanha, que também conta com influenciadores e especialistas para levar informações claras sobre o tema.

Alexandre Damasceno, diretor de Vacinas da MSD Brasil, enfatiza que a vacinação contra o HPV, o exame regular e o tratamento precoce são as melhores formas de combater a doença.

Desafios na vacinação

Muitas infecções por HPV desaparecem sozinhas, mas a persistência do vírus pode levar ao câncer após muitos anos. No Brasil, a vacina contra HPV é gratuita no Sistema Único de Saúde para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, além de outros grupos específicos. No setor privado, a vacina nonavalente protege contra nove tipos de HPV e está disponível até os 45 anos.

Apesar da oferta, a vacinação ainda está abaixo das metas desejadas, e muita gente desconhece a relação entre HPV e câncer do colo do útero, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva.

Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, presidente da Comissão de Vacinas da Febrasgo, afirma que milhares de casos e mortes podem ser evitados com a vacina e exames preventivos, disponíveis desde 2014 no Brasil.

Importância para todos

O HPV não afeta só as mulheres. Nos homens, está associado a cânceres de pênis, vulva, vagina, ânus e boca. Segundo Rodin de Carvalho Fernandes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a vacinação é essencial, pois não há rastreamento estruturado para esses cânceres.

Valentino Magno ainda destaca que, enquanto o tabagismo era a principal causa dos cânceres de cabeça e pescoço, hoje o HPV é responsável pelo aumento significativo desses tumores.




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