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domingo, 01/02/2026

aumento recorde nos salários iniciais devido à falta de trabalhadores e alta do salário mínimo

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MAELI PRADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Em dezembro, o salário inicial no mercado formal de trabalho atingiu o maior valor para esse mês na história recente, impulsionado pela dificuldade das empresas em encontrar e manter funcionários, além da elevação do salário mínimo.

O valor médio de admissão com carteira assinada no Brasil cresceu 2,5% acima da inflação em dezembro de 2025, comparado ao mesmo mês de 2024, chegando a R$ 2.304, conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.

O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence, ressalta que essa tendência é geral, mas mais evidente em empregos com salários baixos, que exigem presença física e menor qualificação.

Essas vagas competem cada vez mais com trabalhos informais que atraem principalmente jovens, oferecendo flexibilidade e remuneração imediata, como motoboys e motoristas de aplicativos.

Por exemplo, os hipermercados, grandes empregadores no país, pagaram em dezembro um salário inicial médio de R$ 1.932, com aumento real de 5,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Bares e restaurantes, também grandes empregadores, tiveram salários iniciais médios de R$ 1.880, com crescimento real de 4,4% e 3,7%, respectivamente, na comparação anual.

No setor de construção civil, o salário médio de admissão foi de R$ 2.340, aumento real de 1% em dezembro.

Esses valores representam os maiores salários iniciais registrados para o mês de dezembro desde 2007, início da série histórica do Caged.

Para Imaizumi, com o mercado de trabalho bastante aquecido, desemprego em níveis baixos e alta rotatividade, a maneira de manter trabalhadores é elevando os salários.

O especialista destaca que a carteira assinada enfrenta concorrência de empregos informais que oferecem maior flexibilidade e ganhos imediatos, atraindo parte dos trabalhadores.

Além disso, há um fator geracional: as novas gerações estão mais escolarizadas e menos propensas a aceitar empregos que demandam esforço físico intenso, como na construção civil ou serviços domésticos.

Esse cenário foi confirmado pela Sondagem de Escassez de Mão de Obra do FGV Ibre, realizada entre outubro e novembro de 2025 com 3.763 empresas, que apontou que 18,9% das empresas relataram aumento salarial para enfrentar dificuldades de contratação, ante 13,7% no ano anterior.

Também houve crescimento na oferta de benefícios, com 36,2% das empresas ampliando concessões, contra 32,4% em 2024.

Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, disse que os maiores aumentos salariais ocorreram nos setores de construção, supermercados, vestuário, produtos farmacêuticos e serviços de alojamento.

A pesquisa ainda indica que 62,3% das empresas enfrentam desafios para contratar e reter trabalhadores, um aumento em relação a 58,7% no ano anterior.

Tobler comenta que as profissões que mais demandam aumento salarial são aquelas que competem com outras opções surgidas com a digitalização e benefícios sociais.

Imaizumi lembra que a elevação dos salários também está ligada ao aumento real do salário mínimo, que cresceu 62,4% desde 2019, acima da inflação de 45% no mesmo período.

Ele explica que o salário mínimo serve de referência para a maioria das posições no mercado formal e, quando aumenta acima da inflação, puxa os salários para cima.

Denise de Freitas, gerente de RH do Roldão Atacadista, afirma que a rotatividade sempre foi um desafio e que o principal problema da rede, com cerca de 4.500 funcionários, é reter trabalhadores.

Para isso, a empresa aumentou o salário inicial dos açougueiros e reduziu a jornada diária de trabalho de sete para seis horas, adotando a escala 6×1.

Denise destaca investimentos em programas de estágio e contratação de trabalhadores com mais de 50 anos para inclusão e ampliação das possibilidades.

A rede sente forte concorrência de vagas autônomas e que pagam mais; muitos funcionários valorizam a jornada flexível para conseguir conciliar outros empregos.

Essa dificuldade tem levado varejistas a flexibilizar escalas e oferecer incentivos para manter funcionários, tema que também está em debate no Congresso como prioridade do governo atual.

Por exemplo, a Cobasi passou a oferecer o segundo domingo de folga no mês, além do direito legal a um domingo livre para quem trabalha no comércio.

Para o futuro, a expectativa é de que o mercado continue crescendo, porém em ritmo mais lento, alinhado a um crescimento econômico menos vigoroso.

Imaizumi conclui que é esperado um aumento salarial mais moderado, em sintonia com o avanço econômico dos próximos anos.

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