Os diagnósticos de câncer de pele no Brasil tiveram um crescimento muito grande, passando de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024, conforme dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Esse aumento, que é mais de 17 vezes o valor inicial, está ligado a vários fatores, como maior exposição ao sol, predominância de peles claras e o envelhecimento da população.
A quantidade de casos varia bastante entre as regiões do Brasil. O Sul e o Sudeste têm as maiores taxas. Em 2024, o Espírito Santo teve 139,37 casos por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina com 95,65 e Rondônia com 85,11, que é o único estado fora do Sul-Sudeste com números altos. O Norte e o Nordeste têm taxas mais baixas, mas estados como Ceará (68,64) também apresentaram crescimento. A SBD informa que o aumento em lugares como Roraima, Acre e Amapá é parcialmente graças a melhorias na vigilância, embora haja subnotificações especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.
O crescimento dos casos acelerou a partir de 2018, quando ficou obrigatório preencher o Cartão Nacional de Saúde e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) em biópsias. No entanto, o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) não é igual para todos, dificultando o diagnóstico precoce. Pessoas que dependem do SUS têm 2,6 vezes mais dificuldade para marcar consultas com dermatologistas do que as que usam planos de saúde privados.
O número de consultas dermatológicas pelo SUS voltou a crescer após a queda causada pela pandemia, chegando a 3,97 milhões em 2024, quase igual ao índice de 2019 (4,04 milhões). Apesar disso, o setor privado realiza mais de 10 milhões de atendimentos por ano, aumentando a chance de identificar lesões suspeitas cedo, especialmente melanomas.
Essas diferenças impactam os tratamentos. No Sudeste e Sul, há mais centros oncológicos, como em São Paulo (57 unidades), Minas Gerais (31) e Rio Grande do Sul (28). Já no Norte, estados como Acre, Amazonas e Amapá têm apenas uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e não contam com Centros de Assistência de Alta Complexidade (Cacon), o que faz com que os diagnósticos sejam mais tardios e complexos.
Além disso, o tempo para começar o tratamento após o diagnóstico é menor no Sul e Sudeste, onde a maioria dos casos é atendida em até 30 dias. No Norte e Nordeste, a espera frequentemente passa de 60 dias, aumentando o risco de piora do quadro.
Diante disso, a SBD pede ações urgentes, como incluir protetores solares na lista de produtos essenciais da Reforma Tributária para reduzir custos e ampliar o acesso. A entidade também enviou os dados a parlamentares para ajudar na regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que estabelece a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS e o Programa Nacional de Navegação para pacientes oncológicos.
Com informações da Agência Brasil
