ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O interesse por minerais importantes, chamados minerais críticos, como terras raras, cresceu muito no Brasil. Em 2025, a Agência Nacional de Mineração (ANM) registrou um grande aumento nos pedidos para explorar esses recursos, com um crescimento de 81% entre o início e o final do ano passado.
Entre janeiro e março de 2025, foram feitos 1.637 pedidos de pesquisa mineral, e entre outubro e dezembro esse número subiu para 2.960. No total, foram 9.319 pedidos no ano anterior.
A ANM explica que esse crescimento foi causado pela maior busca por minerais críticos, o que levou a agência a usar toda sua capacidade de análise, de acordo com um relatório recente.
Segundo a agência, “o aumento na busca por minerais críticos especialmente na segunda metade de novembro e dezembro de 2025 fez com que os pedidos aumentassem muito, sem tempo para análise rápida”.
No sábado (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, assinaram um acordo para cooperação em minerais críticos e terras raras. O acordo é um compromisso político entre os países, sem metas financeiras ou obrigações legais.
Lula comentou: “Ampliar investimentos e cooperação em energia renovável e minerais críticos é o foco deste acordo importante. Nossos países estão garantindo espaço para essa tecnologia nas agendas climática e energética globais.”
O acordo é um memorando de entendimento e depende dos governos para ser aplicado. Ele não permite que uma parte cobre a outra se as ações não forem cumpridas.
Entre 2017 e 2022, a demanda global por lítio, usado em baterias, triplicou. O consumo de cobalto cresceu 70% e o de níquel, 40%, impulsionados por tecnologias de energia limpa.
O Brasil tem grandes reservas desses minerais e é um ator importante globalmente, mas ainda não é um produtor forte. O país tem 94,1% das reservas mundiais de nióbio, 22,4% de grafita, 16% de níquel, e 9,1% de terras raras. Está em sétimo lugar em reservas de lítio. Ainda assim, sua produção mundial é muito pequena, com apenas 0,002% da produção de lítio, 0,03% de terras raras, 3% de níquel e 2% de cobre. A produção de cobalto também é baixa.
China controla 82% da produção mundial de grafite e Indonésia cerca de 60% da produção de níquel. Projeções mostram que haverá falta de cobre, lítio, níquel e cobalto na próxima década, mesmo com novos projetos em curso.
O governo brasileiro quer não apenas extrair os minerais, mas também processá-los no país. Produtos essenciais para baterias, como sulfato de níquel e ímãs de terras raras, ainda não são produzidos em grande escala no Brasil.
A China domina o mercado, com cerca de 70% das reservas mundiais e 90% da capacidade de processamento, que exige processos técnicos complexos.
Ainda sem forte presença no mercado de alguns minerais, o setor mineral é muito importante para a economia brasileira. Em 2024, movimentou R$ 270,4 bilhões, representando 33% do superávit comercial, quase 20% das exportações e gerando R$ 93,4 bilhões em impostos.
A ANM enfrenta dificuldades para lidar com o aumento da demanda por minerais críticos, devido a limitações estruturais. A análise dos pedidos depende de equipes especiais que foram reduzidas por cortes no orçamento.
A falta de servidores exclusivos para controle das áreas também atrapalha o trabalho. Em dezembro, uma força-tarefa foi feita, mas não conseguiu atender a todos os pedidos de alvarás, já que o volume estava muito alto.

