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sábado, 14/02/2026

Aumento da letalidade policial em 17 estados de partidos diversos

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RAQUEL LOPES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O número de pessoas mortas por ações policiais subiu em 17 estados brasileiros em 2025, abrangendo governos liderados por partidos variados como PT, PL, União Brasil, Republicanos, PSD, PSB, Novo e MDB.

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve 6.519 mortes em 2025, 4,5% a mais que as 6.238 do ano anterior, o que equivale a 18 casos diários em todo o país. As regiões Nordeste e Norte tiveram os maiores aumentos.

O caso mais grave aconteceu em Rondônia, onde as mortes em intervenções policiais cresceram de 8 para 47 em um ano, aumento de 488%. O estado é governado por Marcos Rocha (PSD).

Na lista dos estados com maior alta aparecem Maranhão (87%) e Rio Grande do Norte (51%). O Maranhão, governado por Carlos Brandão Júnior (sem partido), registrou quase o dobro de mortes, passando de 76 para 142. No Rio Grande do Norte, as mortes subiram de 91 em 2024 para 137 em 2025.

A Secretaria da Segurança Pública do governo de Fátima Bezerra (PT) afirmou que o aumento está relacionado à migração de criminosos do Sudeste para o Nordeste, o que aumentou as disputas territoriais e os confrontos com a polícia.

A pasta também declarou ter aderido ao projeto de câmeras corporais do Ministério da Justiça em março, que fornecerá 793 equipamentos para unidades da Polícia Militar em cidades com mais de 100 mil habitantes, incluindo Natal, Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante.

Rondônia e Maranhão não responderam aos pedidos de informação.

A análise por partido político mostra que o crescimento da letalidade policial ocorre em governos de diferentes espectros, do PL de Jair Bolsonaro ao PT de Lula. O PSD lidera com quatro estados com alta.

Em valores absolutos, a Bahia, governada por Jerônimo Rodrigues (PT), lidera com 1.569 mortes pela polícia em 2025, aumento de 1% em relação a 2024. Seguem São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 835 mortes, e Rio de Janeiro, governado por Cláudio Castro (PL), com 798 casos, um aumento de 14%.

O coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, Rafael Rocha, explicou que o principal motivo para o crescimento da letalidade policial é a falta de vontade política dos governadores e secretários de segurança para controlar a violência.

Ele destaca que, além dos aspectos técnicos e de formação, a postura dos gestores influencia muito, pois alguns incentivam, direta ou indiretamente, o uso da força letal pela polícia. Segundo ele, o Ministério Público muitas vezes não atua efetivamente no controle externo dessas ações.

“Em alguns estados, os governadores deixam a polícia agir com autonomia excessiva, evitando confrontos com uma instituição politicamente forte e, assim, não assumem a responsabilidade pelo controle da violência”, afirma.

Nove estados tiveram redução

Dados do Ministério Público indicam que nove estados tiveram queda no número de mortes por intervenção policial em 2025, enquanto o Distrito Federal manteve estabilidade com 15 mortos nos dois anos.

Tocantins teve a maior redução proporcional, com queda de 55% (de 49 para 22 casos). Seguem Rio Grande do Sul, com redução de 43%, e Roraima, com 33% menos mortes.

Isabel Figueiredo, diretora do Sistema Único de Segurança Pública do Ministério da Justiça, disse que o aumento pode refletir a dinâmica geral da criminalidade, mas o ministério atua em várias frentes para conter a letalidade, como a ampliação do uso das câmeras corporais atualmente em 11 estados, e o Projeto de Qualificação do Uso da Força, adotado por 21 unidades federativas.

O projeto define diretrizes nacionais para o uso da força policial, promove capacitação dos agentes e fornece equipamentos menos agressivos, como tasers e spray de pimenta. Consultores também assistem os estados na revisão de normas internas.

Ela ressalta que a aceitação das câmeras corporais está aumentando, pois o equipamento é visto como importante para proteger os policiais e registrar as operações, evitando versões conflitantes.

Rafael Rocha complementa que essa política deve ser permanente e acompanhada de supervisão ativa, ressaltando que em São Paulo a diminuição da letalidade foi consequência da revisão e aplicação rigorosa de protocolos. O enfraquecimento dessa estratégia no governo atual elevou novamente os índices.

“Sem fiscalização contínua, as câmeras perdem efeito e não inibem comportamentos violentos”, afirma.

Em São Paulo, houve redução nos homicídios gerais, mas aumento das mortes causadas pela polícia em 2025, terceiro ano do governo de Tarcísio de Freitas.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo destacou que, somados os três anos da atual gestão, o número de mortes por confronto policial está abaixo do registrado na gestão anterior, com redução de cerca de 5%.

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