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quinta-feira, 19/02/2026

Augusto Lima gastou R$ 600 milhões para tentar salvar o banco Pleno

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Adriana Fernandes
O banqueiro Augusto Lima precisou usar cerca de R$ 600 milhões de seu próprio patrimônio para honrar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco Pleno, antigo Voiter, até que o Banco Central anunciou a liquidação da instituição financeira nesta quarta-feira (18).

Augusto Lima fez esses aportes na tentativa de manter o banco funcionando enquanto buscava um investidor para continuar as operações, mas não conseguiu encontrar um comprador.

O banco foi liquidado pelo Banco Central porque não teve dinheiro suficiente para pagar os CDBs que estavam vencendo. Lima chegou a vender seus bens pessoais e procurava investidores, mas a ligação dele com um escândalo no banco Master dificultou a situação. Com a liquidação, seus bens foram bloqueados.

O mercado financeiro já esperava a liquidação devido ao grande volume de CDBs herdados do antigo Voiter. Quando Augusto Lima comprou o Voiter, assumiu um passivo de R$ 6 bilhões em CDBs, conforme reportado pela Folha de S.Paulo. O Banco Central pediu para suspender a emissão de novos títulos na época.

Augusto Lima chamou atenção ao comprar o Voiter, arriscando seu patrimônio estimado em R$ 1 bilhão. Além dos CDBs, ele também assumiu uma dívida com a família Resende Barbosa, antigos donos do banco. Essa dívida foi parte das negociações e analisada pelo Banco Central.

O uso do patrimônio pessoal de Lima reduz o custo para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no ressarcimento dos investidores após a quebra do banco.

O Pleno é mais uma instituição financeira relacionada ao banco Master que foi liquidada. Desde novembro do ano passado, junto com o Pleno, também foram liquidados o Will Bank, o Lestbank e a gestora Reag Investimentos, após uma operação da Polícia Federal que levou a prisão dos sócios Vorcaro e Lima. Ambos foram liberados com tornozeleiras eletrônicas.

A venda do Voiter para Lima foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, enquanto o banco analisava a venda do Master para o banco estatal BRB de Brasília.

Na época da compra do Voiter, o Banco Central exigiu que o banco não emitisse novos CDBs para evitar aumentar o risco do FGC, além de solicitar aportes de capital do novo dono para fortalecer o banco.

Augusto Lima foi afastado da direção do banco, que passou a ser presidido por Ronaldo Vieira Bento. Sua esposa, Flávia Peres (ex-Flávia Arruda), assumiu a gestão prática do banco. Ela foi deputada federal e ministra no governo de Jair Bolsonaro.

José Eduardo Victória foi nomeado pelo Banco Central como liquidante do banco. Augusto Lima tem ligação com o PT da Bahia e é considerado o responsável pelas operações de crédito consignado para servidores do estado, via cartão Credcesta.

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