O ativista ambiental e defensor dos direitos humanos Thiago Ávila chegou ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, na noite de terça-feira (11), após ser liberado de uma prisão ilegal em Israel, que foi criticada pelo governo do Brasil. Ele participava da Global Sumud Flotilla (GSF), uma frota que levava ajuda humanitária ao povo palestino em Gaza, que foi parada por militares israelenses.
Thiago Ávila estava entre sete brasileiros no navio, que saiu de Barcelona no dia 12 de abril. Durante a viagem, desviaram para Creta, na Grécia, para fugir de uma tempestade. Os ativistas, incluindo o palestino-espanhol Saif Abukeshek, foram separados e levados para a Grécia. Ele deveria chegar ao Brasil às 16h, mas foi retido na Polícia Federal para um interrogatório, algo que não aconteceu com outro integrante, Mandi Coelho.
Thiago Ávila contou à Agência Brasil que sofreu torturas na prisão: ficou vendado, preso com quatro algemas e confinado em uma cela pequena onde mal podia se mover. Relatou agressões físicas que o fizeram desmaiar duas vezes, além de ameaças de morte e prisão longa. Todos os dias viu torturas em palestinos e ouviu dos agentes que estava sendo poupado por decisão deles.
Ele criticou a ação de Israel, chamando o país de “Estado genocida”, citando mortes de crianças e mulheres, e prisões de crianças pequenas. Disse que a ONU classificou a violência em Gaza desde outubro de 2023 como uma destruição e sofrimento nunca vistos antes, com falta de casas, comida, hospitais, água e vida comunitária.
Atuando na causa palestina há anos, Thiago Ávila falou sobre novas ações, com 50 embarcações que devem sair da Turquia em breve. Mandi Coelho ressaltou a ironia de navios humanitários serem parados, enquanto navios com armas para Israel passam livremente, mostrando cumplicidade internacional.
Thiago Ávila defendeu que sejam responsabilizados o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que tem um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) desde novembro de 2024, mas que ele ignora, incentivando impunidade. Também criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, citando investigações sobre o escândalo de Jeffrey Epstein.
A ONU informou que desde janeiro houve 38 ataques a serviços de saúde na Cisjordânia, atingindo ambulâncias e unidades médicas. Em dezembro de 2024, o pediatra Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan em Gaza, foi preso por tropas israelenses durante uma invasão, atrapalhando atendimentos importantes.
Os principais países que doam para o fundo humanitário da Palestina, criado em 2007, são Finlândia (US$ 5,8 milhões), Bélgica (US$ 4,7 milhões), Irlanda (US$ 4,6 milhões), Reino Unido (US$ 4,2 milhões) e Suécia (US$ 3,7 milhões).
