Prédios vazios, calçadas quebradas e estruturas sem cuidado são problemas crescentes em áreas valorizadas do Plano Piloto. Moradores da Asa Sul e Asa Norte relatam mais riscos à segurança, dificuldades para andar e sensação de abandono da cidade.
Na SQS 506 Sul, onde havia um bar fechado em 2022, o lugar está degradado. A calçada está suja e danificada, parte do telhado caiu, e um buraco grande no esgoto ficou aberto, com apenas um caixote de madeira para avisar do perigo.
O comerciante Marcos Antonio, que trabalha perto dali, diz que já viu pessoas quase caindo no buraco. “Essa área tem muito movimento e o buraco é perigoso. As madeiras que colocaram para proteger também não são seguras”, conta.
Na Asa Sul, a falta de luz nas ruas à noite aumenta o medo dos moradores. Outro prédio abandonado, na SQS 114/115 Sul, onde funcionava a sede dos escoteiros, está fechado há cerca de cinco anos. As paredes estão pichadas, as grades tortas e há lixo acumulado dentro e fora do prédio.
Na Asa Norte, o prédio da Associação dos Agentes da Polícia Civil, na SQN 404, está fechado e virou abrigo para pessoas sem casa, com lonas e lixo espalhado.
A moradora da Asa Norte, Lindalva Gomes, diz que tem medo ao passar por lá. “O posto que era de segurança virou um lugar para pessoas em situação de rua. Fico preocupada quando passo aqui. O ideal seria que o posto funcionasse de novo”, afirma.
Para a presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul (Patrícia Carvalho), os moradores reclamam sempre de prédios fechados, sujos e sem cuidado. “Esses lugares abandonados passam uma sensação de descuido e aumentam a insegurança”, explica.
Ela também destaca que o problema afeta a todos: “Calçadas ruins dificultam a vida de idosos, pessoas com deficiência e mães com carrinho. Além disso, a aparência da cidade afeta o bem-estar das pessoas e mostra falta de atenção do poder público”.
Patrícia ressalta que essa situação é antiga e não tem solução fácil. “É um problema que aparece há anos, especialmente a falta de iluminação e as calçadas em mau estado. O Plano Piloto tem muito movimento, mas muitos lugares não estão prontos para isso”, afirma.
O Conselho Comunitário tenta ajudar, mas encontra dificuldades. “O retorno das autoridades existe, mas é lento e não resolve tudo. Falta uma ação conjunta entre fiscalização, manutenção, assistência social e planejamento”, diz.
A Administração Regional do Plano Piloto informou que está atenta às reclamações e trabalha junto com órgãos responsáveis para ajudar a população em situação de rua. Eles disseram também que os prédios citados não são de responsabilidade direta deles, mas que realizam ações de cuidado nas áreas próximas e buscam soluções junto aos órgãos envolvidos.
