Uma pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revelou que mais de 50 milhões de brasileiros, principalmente nas capitais, participam de apostas esportivas e jogos de azar online, conhecidos como bets. Este número representa um aumento de 10,5 milhões em relação a 2025. Esse mercado vem impactando significativamente o orçamento de muitos consumidores no país.
O estudo mostra que o gasto mensal médio com apostas alcança R$ 213, sendo ainda maior nos grupos econômicos A e B, onde a média sobe para R$ 314. Além disso, 23% dos apostadores admitem que os valores investidos já prejudicaram sua renda ou bem-estar financeiro.
Consequências financeiras para os apostadores
Quase metade dos participantes relata que o hábito de apostar gerou cortes importantes em seus gastos, incluindo despesas essenciais como internet, contas básicas e alimentação fora de casa. Em muitos casos, isso levou ao não pagamento de contas, com 25% reconhecendo ter deixado de pagar alguma conta para continuar apostando. A inadimplência provocada por esse comportamento atinge cerca de 24% dos apostadores, que tiveram seus nomes negativados, sendo que 11% ainda carregam essa restrição.
Para conseguir dinheiro para as apostas, 28% afirmaram ter recorrido a medidas extremas, como empréstimos não autorizados, venda de bens sem permissão e uso indevido de cartões de terceiros.
Impacto sobre adolescentes e ambiente familiar
O efeito das apostas também tem sido sentido em famílias com adolescentes. Cerca de 10% dos entrevistados com filhos entre 12 e 18 anos indicaram que seus jovens têm envolvimento com as apostas online. Entre estes pais, 70% perceberam prejuízos diretos na vida dos filhos, incluindo sinais de vício, endividamento e uso não autorizado de dinheiro familiar.
Procura por ajuda e reflexões finais
Apesar das dificuldades evidentes, a busca por apoio profissional continua baixa. Apenas 30% dos apostadores afirmam procurar suporte, focando principalmente em familiares, amigos ou grupos de apoio. A maioria ainda não busca ajuda especializada para lidar com o problema.
José César da Costa, presidente da CNDL, ressalta que as apostas on-line deixaram de ser apenas uma forma de entretenimento e se tornaram uma crise de saúde pública, exigindo acolhimento clínico e políticas públicas rigorosas para proteção da população, especialmente dos jovens.
O levantamento foi realizado entre 25 de maio e 4 de junho, com 939 pessoas que fizeram compras pela internet nos últimos 12 meses. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
