A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, estão organizando uma missão oficial à Europa até março para fortalecer a pressão pela aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
Essa informação foi confirmada pelo presidente da Apex, Jorge Viana, durante uma entrevista coletiva na quinta-feira (22). Segundo ele, Alcolumbre indicou que a aprovação do acordo será a principal pauta do Congresso quando as atividades forem retomadas após o recesso parlamentar. A estratégia inclui acelerar a ratificação interna no Brasil e nos demais países do Mercosul, seguida de uma visita dos parlamentares sul-americanos ao Parlamento Europeu, para um diálogo de alto nível entre presidentes de parlamentos.
“Vamos aprovar tudo pelo lado do Mercosul e, juntos, organizar uma missão ao Parlamento Europeu. Será um diálogo entre presidentes de parlamento, em nível político adequado”, explicou Viana.
Enquanto isso, a Apex está preparando uma campanha de comunicação para superar as resistências ao acordo e atualizar a visão sobre o Brasil entre eurodeputados e consumidores europeus. O objetivo é combater estereótipos relacionados ao agronegócio, além de questões ambientais e sociais, que ainda sustentam parte da oposição. Dados da Apex mostram que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações brasileiras, com US$ 49,8 bilhões em 2025, ficando atrás apenas da China, e que o agronegócio responde por cerca de 23% do comércio bilateral.
“A imagem do Brasil mudou e precisa ser trabalhada no exterior. Argumentos usados há quatro ou cinco anos não correspondem mais ao cenário atual”, ressaltou Viana.
A Apex também divulgou um estudo indicando que o Brasil pode aumentar as exportações em 543 produtos com a redução imediata das tarifas na União Europeia, um mercado de US$ 43,9 bilhões por ano. A Europa Ocidental lidera as oportunidades com 266 produtos, seguida pelas regiões Meridional (123), Oriental (101) e Setentrional (53).
Essa movimentação acontece após o Parlamento Europeu aprovar, por uma margem estreita, um pedido para uma revisão jurídica adicional do acordo, assinado no último sábado (17), após 26 anos de negociações. Embora isso não impeça o tratado, pode atrasar a tramitação no bloco por até dois anos, atendendo a pedidos por proteções ambientais mais rígidas e mecanismos de fiscalização. O governo brasileiro critica essas exigências, que poderiam comprometer o texto negociado, e atribui o resultado à pouca mobilização dos defensores do acordo e à influência de grupos agrícolas europeus.
