Moradores dos bairros de Leme e Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, estão sem energia elétrica há mais de 48 horas, desde as 17h de sábado (3). Essa falta de luz tem causado protestos, prejuízos econômicos e preocupações com a segurança na região.
O Procon Carioca notificou a empresa de energia Light na segunda-feira (5), dando um prazo de 24 horas para que a companhia explique o atraso, informe um plano para resolver o problema e ofereça compensações aos consumidores prejudicados, sob risco de multa. Entre as exigências estão o reembolso por alimentos estragados, danos a eletrodomésticos e descontos na conta de energia. O órgão criticou a falta de transparência da Light sobre as causas do apagão e a má comunicação com a população, que infringe o Código de Defesa do Consumidor.
Segundo João Pires, secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, “O fornecimento de energia é essencial e não pode ficar parado por mais de dois dias sem uma explicação clara, planejamento e respeito ao consumidor.”
Na noite de domingo (4), os moradores fizeram protestos batendo panelas nas varandas dos seus prédios. A Polícia Militar declarou que não foi chamada para casos de furto de cabos elétricos na área, questionando a segurança da rede elétrica.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro entrou com uma ação judicial na manhã de segunda-feira pedindo o restabelecimento imediato da energia. A ação aconteceu depois que a Light não cumpriu os prazos que havia informado para resolver o problema, que eram até o meio-dia e depois até as 21h de domingo. No começo da tarde de segunda, várias partes ainda estavam sem luz ou com fornecimento instável.
Os danos causados pela falta de energia são grandes tanto para o comércio quanto para as casas. Shelley de Botton, dona de uma padaria no bairro, contou que teve que fechar o negócio desde sábado, com prejuízo nas vendas e sem poder atender seus clientes. “São três dias sem lucro. A produção está parada porque não dá para usar os equipamentos”, disse.
Em prédios residenciais, a síndica Clarice Peixoto, do Edifício Copal, relatou problemas como portões que não abrem, elevadores parados e sensação de insegurança. “Ficamos dois dias com os portões sem energia para funcionar, por isso, não dava para abrir ou fechar. Muitos moradores não conseguiram sair de casa”, contou.
A Defensoria Pública reforça que a falta prolongada de energia viola direitos básicos e está buscando solução rápida para evitar que o problema volte a acontecer. A Light foi procurada para comentar, mas ainda não se pronunciou sobre as causas do apagão ou quando vai normalizar o serviço.
