MATEUS VARGAS
FOLHAPRESS
A Anvisa, órgão que fiscaliza medicamentos no Brasil, afirmou que nas próximas semanas dará um posicionamento sobre a autorização para a venda de dois novos remédios que disputam o mercado com as canetas emagrecedoras Ozempic e Wegovy, fabricadas pela Novo Nordisk e que têm a semaglutida como ingrediente principal.
A patente da semaglutida acaba em 20 de março, mas até agora nenhum concorrente recebeu aprovação no país. Além disso, não é certo que os dois medicamentos serão aprovados, pois às vezes faltam dados ou o processo pode ser rejeitado.
A Anvisa está revisando internamente esses pedidos. Um dos medicamentos é da EMS, o único laboratório nacional que já lançou canetas emagrecedoras anteriormente usando outro princípio, a liraglutida, que concorre com Saxenda e Victoza.
O outro pedido é de um produto que inicialmente foi solicitado pela Momenta, parte do grupo Eurofarma, mas o processo foi transferido para a Ávita Care. A Eurofarma já está no mercado de emagrecedores, pois tem uma parceria com a Novo Nordisk para distribuir produtos com semaglutida.
A agência rejeitou em dezembro um pedido de registro de um remédio contendo liraglutida do laboratório Megalabs.
As canetas emagrecedoras atuam imitando o hormônio GLP-1, que controla o açúcar no sangue e ajuda a sentir saciedade. Ozempic e Wegovy têm semaglutida, enquanto outro remédio chamado Mounjaro, da Lilly, usa tirzepatida, que age em dois hormônios diferentes e tem patente até 2036.
Há forte demanda de consumidores, indústria e políticos para aumentar a oferta e diminuir preços. Porém, o uso fora da recomendação médica e o crescimento de versões manipuladas preocupam médicos e associações.
Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido para acelerar o fim da patente do remédio com tirzepatida, mas governo e indústria são contra.
A Anvisa tem 14 pedidos de registro de produtos com semaglutida e 7 com liraglutida. Nenhum é genérico, que precisa ter preço muito mais baixo, mas a concorrência deve reduzir os preços.
No ano passado, o governo Lula acelerou a análise de 20 pedidos de remédios com liraglutida e semaglutida após pedido do Ministério da Saúde.
Isso ocorreu logo depois que o ministro Alexandre Padilha fez propaganda das canetas emagrecedoras da EMS, empresa que fabrica peptídeos sintéticos em São Paulo e recebeu investimentos públicos para isso.
A EMS aguarda resposta da Anvisa e já comercializa outros produtos com liraglutida.
Essa prioridade nos emagrecedores gerou críticas de entidades que temem atrasos em avaliações de tratamentos para doenças graves e riscos legais. A Anvisa afirma que definiu um limite para acelerar processos sem prejudicar outros.
Além disso, a Agência justifica a decisão pela possibilidade de falta dessas canetas no mercado, priorizando produtos com etapas feitas no Brasil.
O governo planeja incluir esses tratamentos no SUS, mas o custo elevado dificulta isso. Uma parceria entre EMS e Fiocruz busca transferir tecnologia para produção nacional das canetas.
