VITOR HUGO BATISTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (15) o recolhimento de dois lotes da água Mamba Water após encontrar a bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma que foi detectada recentemente em produtos da marca Ypê.
Quem tiver produtos dessas embalagens deve parar de consumi-los imediatamente. A medida alcança a água mineral sem gás da Mamba Water em lata de 350 ml, dos lotes 13 e 14. O lote 13 foi produzido no dia 3 de abril de 2026 e tem validade até 3 de abril de 2027. O lote 14 foi produzido em 4 de abril de 2026, com validade até 4 de abril de 2027.
Consumir pequenas quantidades dessa bactéria geralmente não traz problemas para pessoas saudáveis. Porém, o risco aumenta se houver contato com grande quantidade da bactéria ou em pessoas com o sistema imunológico fraco ou doentes graves, conforme especialistas.
“Quando a quantidade da bactéria é alta ou a pessoa tem fatores de risco, a bactéria pode causar infecção. Isso pode causar gastroenterite, com sintomas como diarreia, dor na barriga, náusea e vômito”, explica Gabriela Leite de Camargo, infectologista do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas.
Henrique Lacerda, infectologista do Hospital Brasília, da Rede Américas, alerta: “Se a pessoa tiver febre, vômitos persistentes, diarreia forte ou se sentir pior, deve buscar atendimento médico. Não é recomendado tomar antibióticos sem orientação médica”.
A Mamba Water informou que cerca de 82% do volume dos lotes afetados já foi bloqueado antes da venda e não estava disponível para comércio.
A empresa também disse que não recebeu reclamações nem relatou casos de problemas de saúde relacionados a esses lotes e orienta os consumidores a não consumirem os produtos afetados e a pedirem reembolso entrando em contato com a marca.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa esteve recentemente envolvida em outra ação da Anvisa contra produtos da Ypê. A agência recolheu lotes de detergentes, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca e suspendeu a produção da fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), após problemas nas etapas de produção.
Essa bactéria é comum em hospitais e é até cem vezes mais resistente a antibióticos do que outras bactérias. Em casos graves, como infecções no sangue ou pneumonia ligada a ventilação, a taxa de mortalidade pode variar de 32% a 58%.
A Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria oportunista, sendo mais perigosa para quem tem o sistema imunológico debilitado, como pessoas com câncer, HIV, transplantadas, idosos ou internadas em UTI. O tratamento é feito com antibióticos.
Lacerda destaca: “Essa bactéria tem muitas formas de resistir aos antibióticos, o que pode dificultar muito o tratamento da infecção”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a resistência antimicrobiana como uma das maiores ameaças à saúde pública global.
Um estudo da Universidade Politécnica de Hong Kong, publicado em 2025 na revista Microorganisms, aponta que a Pseudomonas aeruginosa está entre as principais causas de infecções nos hospitais.
Os pesquisadores salientam que essa bactéria forma biofilmes, que são camadas protetoras que ajudam-na a sobreviver em ambientes difíceis, como em frascos de produtos de limpeza.
Em pessoas saudáveis, a pele e mucosas usualmente impedem a bactéria de entrar no corpo. O risco depende da quantidade de bactéria e da forma de contato.
Em casa, o contato com a Pseudomonas aeruginosa pode causar irritação na pele, alergias, coceira e ardor nos olhos. Pode também provocar problemas respiratórios e dermatite, que é uma inflamação com coceira, vermelhidão e descamação da pele.
