LUIS EDUARDO DE SOUSA
FOLHAPRESS
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou recentemente o uso da semaglutida para ajudar a reduzir o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Essa recomendação é destinada a adultos que já têm problemas cardiovasculares ou que estão com sobrepeso e obesidade.
Com essa decisão, medicamentos como o Wegovy e o Ozempic, produzidos pela Novo Nordisk e conhecidos por ajudar no emagrecimento rápido e inicialmente criados para tratar diabetes, agora também podem ser usados para prevenir esses graves problemas do coração e dos vasos.
De acordo com o cardiologista Silvio Giopato, do Hospital das Clínicas da Unicamp, essa autorização pode diminuir a quantidade de infartos ao longo do tempo. Porém, o custo elevado desses remédios ainda dificulta o acesso para muitas pessoas. Ele acredita que a perda da patente do Ozempic, prevista para março, pode ajudar a baratear o tratamento. No entanto, essa questão tem gerado discussões no Congresso, conforme reportado pela Folha de S.Paulo.
“É importante lembrar que, apesar dos primeiros benefícios aparecerem após dois a três anos, o efeito completo só acontece com o uso contínuo do remédio. Por isso, o fator econômico é um grande obstáculo para a maioria da população”, explica Giopato.
A Anvisa informou que um estudo apresentado pela fabricante mostrou que, junto com dieta de baixa caloria e mais exercícios físicos, a semaglutida diminuiu significativamente esses eventos cardíacos graves. A agência não divulgou detalhes específicos desse estudo.
Esses medicamentos podem ajudar a reduzir os altos números de infartos e AVCs no Brasil, que causam aproximadamente 400 mil mortes anuais.
A Anvisa também permitiu o uso do Ozempic para diabéticos com doença renal crônica, uma condição comum associada ao diabetes. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que 29% dos pacientes em diálise no Brasil têm diabetes. O diabetes é a principal causa de problemas nos rins, pois o excesso de açúcar no sangue danifica os vasos que filtram o sangue.
Segundo o estudo apresentado, o uso do medicamento junto ao tratamento padrão ajudou a retardar a insuficiência renal e a diminuir mortes por problemas cardíacos graves.
