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quarta-feira, 07/01/2026

Anvisa aprova testes iniciais da polilaminina para lesão na medula

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o começo da primeira fase de um estudo clínico que avalia o uso da polilaminina para tratar pessoas com lesão na medula espinhal. Os testes são conduzidos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ganharam atenção em setembro de 2025, quando pacientes que participaram das fases iniciais apresentaram seus resultados em uma coletiva.

A pesquisa envolverá cinco pacientes, entre 18 e 72 anos, que sofreram lesões completas entre as vértebras T2 e T10, com trauma ocorrido há menos de 72 horas e que precisam de cirurgia.

A farmacêutica Cristália financiará esta etapa inicial, em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que possuem cirurgiões preparados para aplicar a substância. Para a fase de recuperação, os pacientes contarão com o suporte da AACD.

Por ser uma fase 1, o foco é verificar a segurança da polilaminina. A eficácia só será avaliada nas próximas fases, caso os resultados iniciais sejam positivos. Serão monitorados possíveis efeitos colaterais, analisando a frequência, gravidade e relação com o tratamento.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é uma forma especial de uma proteína chamada laminina, que está presente em quase todo o corpo humano e ajuda a organizar os tecidos.

No sistema nervoso, essa proteína ajuda as células a se dividirem e sobreviverem, orienta o movimento dos neurônios, estimula o crescimento dos axônios, e auxilia na formação da mielina, essencial para a transmissão dos impulsos nervosos, segundo explicou a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio.

Esta proteína tem sido estudada para lesões na medula há mais de vinte anos pela equipe do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Entre 2016 e 2021, dez pacientes receberam injeções de polilaminina na medula em hospitais no Rio de Janeiro e Minas Gerais até seis dias após o acidente, para avaliar a segurança da substância.

Dois voluntários foram excluídos por razões clínicas. Entre os restantes, houve melhora nas funções motoras e sensoriais em relação ao começo do tratamento. Três pacientes faleceram durante o acompanhamento, mas óbitos foram avaliados como não relacionados à polilaminina por especialistas externos.

Testes acadêmicos, como os realizados com a polilaminina, servem de base para novas pesquisas clínicas, que acontecem em quatro etapas:

  1. Testar a segurança em um pequeno grupo de participantes;
  2. Testar segurança, eficácia e dosagem em grupos maiores;
  3. Comparar eficácia e riscos em grandes grupos;
  4. Monitorar continuamente a segurança após liberação do medicamento (farmacovigilância).

Autorização

Os dados para pedir autorização foram enviados à Anvisa no final de 2022. Desde então, a agência realizou várias reuniões técnicas para garantir que o estudo siga todas as normas necessárias.

No estudo, será usada uma solução injetável com 100 µg/mL de laminina, que é diluída para formar a polilaminina antes da aplicação única diretamente na área lesionada da medula.

A empresa patrocinadora será responsável por acompanhar e avaliar todos os efeitos colaterais, inclusive os que não forem graves, durante o estudo.

Estadão Conteúdo

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