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terça-feira, 13/01/2026

Anvisa aprova novo remédio contra HIV com aplicação a cada seis meses

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a aprovação do lenacapavir, um medicamento para prevenção do HIV, no Diário Oficial da União em 12 de junho. Esse remédio oferece uma nova opção para a profilaxia pré-exposição (PrEP), que ajuda a diminuir o risco de infecção pelo HIV.

Produzido pela empresa farmacêutica Gilead, o lenacapavir é vendido com o nome comercial Sunlenca. Ele pertence a um grupo inovador de antirretrovirais e é indicado para pessoas com 12 anos ou mais, que pesem no mínimo 35 kg e tenham teste negativo para HIV antes de começar o uso.

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o lenacapavir como uma opção extra para PrEP e pediu que o acesso ao medicamento fosse ampliado.

Esse medicamento pode ser usado em forma de injeção ou comprimidos, atuando em várias fases do ciclo de replicação do HIV, o que aumenta sua capacidade de prevenir a infecção.

Os estudos clínicos mostraram que o lenacapavir é eficaz como método de prevenção para diferentes grupos, incluindo adolescentes, mulheres, homens cisgêneros e pessoas trans. A versão injetável aplicada a cada seis meses é especialmente vantajosa, pois facilita a continuidade do tratamento.

Preço e acesso

O custo elevado do lenacapavir pode dificultar seu acesso, segundo Klinger Soares Faíco Filho, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conforme artigo publicado no The Conversation e reproduzido pelo jornal Estadão.

Uma pesquisa da revista The Lancet indica que o tratamento anual pode ultrapassar 28 mil dólares (cerca de 150 mil reais atualmente).

A Anvisa ainda aguarda a definição do preço máximo pelo órgão regulador CMED. A inclusão do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e aprovação do Ministério da Saúde.

Segurança e efeitos colaterais

De acordo com a Anvisa, o lenacapavir tem um perfil de segurança favorável, apresentando apenas reações leves a moderadas. A aplicação injetável pode causar efeitos locais como inchaço, dor, vermelhidão, formação de nódulos, endurecimento da pele e coceira no local da injeção.

Também há um alerta para o risco de resistência ao lenacapavir, que pode ocorrer se a pessoa estiver com infecção recente ou não diagnosticada de HIV-1 ao iniciar o tratamento, ou se contrair o vírus durante o uso do medicamento e não houver diagnóstico ou tratamento em tempo hábil.

Como tomar o remédio

A injeção deve ser aplicada por profissional de saúde, sob a pele do abdômen, a cada seis meses. Os comprimidos são ingeridos por via oral, seguindo o esquema recomendado pelo médico.

O que é a PrEP

A profilaxia pré-exposição consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais por pessoas com maior risco de contrair o HIV. No SUS, hoje, a PrEP oral é oferecida com dois remédios combinados que precisam ser tomados diariamente.

A PrEP faz parte de uma estratégia chamada “prevenção combinada”, que inclui também testes regulares, profilaxia pós-exposição (PEP), acompanhamento de gestantes soropositivas, redução de danos para usuários de drogas, diagnóstico e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, uso de preservativos e tratamento antirretroviral.

O HIV é o vírus que causa a AIDS e prejudica o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções, câncer e outras doenças. A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais sem proteção, compartilhamento de objetos cortantes contaminados e da mãe para o bebê durante a gravidez, parto ou amamentação.

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