Jairo Marques
São Paulo, SP (Folhapress)
Após quase três anos de análise rigorosa e pedidos de informações adicionais, a Anvisa liberou a primeira etapa de testes clínicos para a polilaminina, uma substância que pode ajudar a regenerar danos na medula espinhal, segundo um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderado pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio.
O laboratório brasileiro Cristália, que patrocina o estudo, vai selecionar e acompanhar cinco voluntários que receberão a polilaminina. Ainda não está definido exatamente onde será feita a seleção, mas provavelmente será nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.
Se as três fases do estudo forem aprovadas, a polilaminina, que é feita a partir de uma proteína da placenta, poderá ser fabricada em larga escala. Já existem negociações para que, se aprovada, a medicação seja oferecida gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Podem participar desta fase do estudo apenas pessoas que sofreram lesão completa na medula, com perda total de movimento e sensibilidade, como casos de paraplegia ou tetraplegia, na faixa etária de 18 a 72 anos, e que tiveram o trauma recentemente, no máximo até 72 horas antes do estudo.
Esta etapa inicial vai durar pelo menos seis meses e tem o objetivo de garantir que a aplicação do medicamento, feita diretamente na medula, seja segura. Se os resultados forem positivos, a pesquisa avançará para as próximas fases, que buscam comprovar se a polilaminina realmente funciona.
Tatiana Coelho de Sampaio comentou: “Estou feliz e aliviada. Agora podemos avançar e obter mais respostas. Temos uma substância muito promissora. Espero que continue dando bons resultados e que a polilaminina possa ajudar muitas pessoas”.
No último mês, quatro pacientes que sofreram acidentes graves na medula conseguiram autorização judicial para receber o medicamento. Três delas, de Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, já passaram pelo tratamento.
De acordo com a equipe de pesquisa, os pacientes têm apresentado melhora, com recuperação parcial da sensibilidade e, em dois casos, pequenos movimentos.
Lesões completas na medula são graves, e poucos registros mostram evolução dos pacientes nessas condições.
O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, que assumiu o cargo em setembro de 2025, havia afirmado que a polilaminina seria uma prioridade deste ano na agência.
Esta fase visa avaliar os possíveis riscos aos pacientes, implementar medidas de segurança e decidir se a pesquisa pode continuar.
Durante os testes feitos antes nos laboratórios, não foram observados efeitos colaterais em animais nem em humanos voluntários. Um dos pacientes, Bruno Drummond de Freitas, 31 anos, que tinha tetraplegia, recuperou os movimentos após o tratamento e reabilitação intensiva.
