Jo Frost, apresentadora conhecida mundialmente por seu trabalho no programa Supernanny, revelou recentemente em seu Instagram que convive com alergias severas e frequentemente enfrenta episódios de anafilaxia.
A educadora inglesa de 55 anos comentou que já esteve em situações de risco de vida por conta dessa condição. “Já sobrevivi a mais choques anafiláticos do que posso explicar no momento”, disse ela.
A anafilaxia é uma reação alérgica intensa e rápida que afeta vários sistemas do organismo. Pode causar bloqueio das vias respiratórias, queda de pressão, urticária e desmaios. Sem apoio médico imediato, pode ser fatal.
Sintomas comuns da anafilaxia
- Dificuldade para respirar ou chiado no peito, causado pelo inchaço das vias aéreas;
- Inchaço súbito no rosto, lábios, língua ou garganta que pode obstruir a respiração;
- Manchas vermelhas e coceira intensa na pele (urticária);
- Queda rápida da pressão arterial, causando tontura ou desmaios;
- Náusea, vômito, diarreia ou dor abdominal, especialmente após contato com certos alimentos ou medicamentos.
Jo Frost destaca que milhões de pessoas vivem em constante alerta devido a alergias graves e que sempre precisa perguntar sobre os ingredientes dos alimentos para evitar riscos de vida. Ela pede que restaurantes e empresas alimentícias ofereçam melhor treinamento a seus funcionários para prevenir incidentes.
Para emergências, carrega consigo uma EpiPen, caneta que injeta adrenalina para estabilizar o paciente até o atendimento médico.
O que causa a anafilaxia e sua gravidade
A anafilaxia acontece quando o corpo reage exageradamente a substâncias como certos alimentos, medicamentos, picadas de insetos ou cheiros fortes, com o sistema imunológico entrando em colapso rapidamente.
Gatilhos comuns incluem nozes, frutos do mar, centeio, pólen e pelos de animais. Os sintomas começam com dificuldade para respirar e manchas na pele, podendo evoluir para convulsões e perda de consciência em casos graves.
Maria Letícia Chavarria, alergista do Órion Complex em Goiânia, explica que os primeiros 60 minutos após o início dos sintomas são decisivos para o tratamento, pois a maioria das mortes ocorre nessa fase sem atendimento rápido. Ela ressalta que além dos sinais habituais, pode haver convulsões, diarreia e confusão mental, e que a condição evolui rapidamente sem margem para demora.
Cenário no Brasil e recomendações
As internações por choque anafilático mais que dobraram no Brasil na última década. Em 2024, foram registrados 1.143 casos, conforme dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS.
No país, a EpiPen ainda não é vendida em farmácias e só pode ser obtida por importação, com custo elevado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aguarda pedidos de registro para viabilizar sua comercialização nacional.
Enquanto isso, recomenda-se acionar o Samu (192) ou os Bombeiros (193) imediatamente se alguém sofre um choque anafilático. O paciente deve ser mantido deitado, com as pernas elevadas e vias aéreas desobstruídas. Caso haja vômito, a cabeça deve ser virada para o lado para evitar aspiração.
Fábio Chigres Kuschnir, imunologista e presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), defende a criação de uma versão nacional e acessível da caneta de adrenalina para o SUS, reforçando a importância de atendimento rápido para salvar vidas.
