A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) notificou 5.549 casos de acidentes com animais peçonhentos em 2025, um aumento de 24,55% em relação a 2024. Mais de 90% dos casos ocorreram em áreas urbanas, concentrando-se principalmente nos últimos quatro meses do ano, durante o período de queimadas e início das chuvas. A média semanal desses acidentes foi de 42,8, sendo que 86,4% foram causados por escorpiões e os demais por serpentes, aranhas e lagartas.
Dos 5.099 atendimentos para moradores do DF, 4.676 (91,7%) foram casos leves e 61 (1,1%) graves. Durante o ano, 328 pessoas receberam soro antiveneno nos dez hospitais da rede pública. A rapidez no atendimento é um ponto positivo: mais de metade dos pacientes foi atendida em menos de uma hora, graças à boa distribuição de hospitais, unidades de pronto atendimento (UPAs) e unidades básicas de saúde (UBSs) pelas regiões administrativas.
Profissionais de saúde alertam para erros comuns, como sugar o ferimento ou usar garrote, e destacam que o principal erro é não buscar ajuda médica rapidamente. Geila Márcia Meneguessi, enfermeira da vigilância epidemiológica da SES-DF, ressalta a importância de uma rede eficiente para evitar complicações sérias. Vilma Del Lama, bioquímica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), relata casos graves, como o de uma criança que morreu após a picada, pois os pais interpretaram o silêncio da criança como melhora, sendo na verdade um sinal de choque.
O CIATox, ligado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da SES-DF, fornece atendimento 24 horas pelos telefones 0800 644 6774 e (61) 9 9288-9358. A unidade orienta profissionais de saúde e população baseando-se em dados nacionais e internacionais sobre animais peçonhentos, avaliando sintomas e identificação do animal agressor.
Os sinais variam conforme o animal, podendo incluir dor, inchaço, reação inflamatória, dificuldade para respirar, alterações cardíacas, náuseas, vômitos, tremores e convulsões. Em crianças, pode ocorrer choro forte e súbito. No DF, os escorpiões mais comuns são o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) e o escorpião com patas rajadas (Tityus fasciolatus). Entre as serpentes, destacam-se jararacas e cascavéis; e entre as aranhas, as armadeiras (Phoneutria) e a aranha-marrom (Loxosceles).
Informações fornecidas pela Secretaria de Saúde
