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sábado, 04/04/2026

Alta do querosene aumenta preço das passagens aéreas

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O aumento recente no preço do querosene de aviação (QAV), que chegou a 54,8%, deve impactar diretamente no custo das passagens aéreas. Em fevereiro, os bilhetes já registraram uma inflação de 11,40%. Como o combustível representa uma parte significativa dos custos das companhias aéreas, esse reajuste deve refletir nos valores pagos pelo consumidor.

A Petrobras anunciou um reajuste de até 56% no preço do QAV na última quarta-feira (1º/4), de acordo com a tabela divulgada pela estatal. A companhia confirmou que o aumento médio foi de 54,8%. Esse aumento está ligado à alta no preço do petróleo, que subiu devido ao conflito no Oriente Médio.

Em Belém, o preço do metro cúbico do QAV subiu de R$ 3.546,90 para R$ 5.495,30, representando um aumento de quase 55%.

Impacto do reajuste nas companhias aéreas

Segundo o coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, André Braz, o impacto do aumento do QAV ocorre de três formas principais:

  • Por custos diretos imediatos, já que o combustível é comprado continuamente e o aumento entra na estrutura de custos quase na hora;
  • Pela exposição cambial, pois o preço do QAV no Brasil é influenciado pelo mercado internacional, incluindo o preço do petróleo e a cotação do dólar;
  • Limitações na eficiência operacional no curto prazo, pois não é fácil substituir o combustível ou reduzir seu consumo rapidamente, o que exige ajustes operacionais que levam tempo.

“O repasse para o consumidor é parcial e com defasagem. No médio prazo, tende a pressionar o preço das passagens”, explica André Braz.

O economista e professor da FIA Business School, Carlos Honorato, destaca a vulnerabilidade do Brasil a crises internacionais e a complexidade da gestão das companhias aéreas, que enfrentam altos custos tributários e impostos elevados.

Histórico da inflação nas passagens aéreas

Desde 2021, as passagens aéreas vêm sofrendo aumentos consecutivos, entre 17,59% e 47,24%, superando a inflação oficial no período. Em 2024, houve uma redução considerável de 22,20%, mas os preços voltaram a subir e, em fevereiro deste ano, aumentaram 11,40%.

A inflação oficial medida pelo IPCA em março, divulgada pelo IBGE, não inclui o recente reajuste do QAV anunciado em abril.

Ações do governo

Para tentar conter os efeitos do aumento do preço internacional do petróleo sobre o setor aéreo, o Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda propostas que incluem a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação, a diminuição do IOF para operações financeiras das empresas aéreas e corte no Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves.

Em comunicado recente, a Petrobras informou que poderá parcelar o reajuste do QAV em até seis vezes e reduzir o aumento para 18% em abril, aliviando o impacto imediato para as companhias aéreas e consumidores.

As empresas aéreas Gol, Latam e Azul foram procuradas para comentar se o reajuste será repassado nos preços das passagens, mas optaram por não se pronunciar individualmente.

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