Yuri Eiras
Rio de Janeiro, RJ (Folhapress)
O secretário de Transportes do Rio de Janeiro, Washington Reis (MDB), tem causado desconforto na relação com o governador Cláudio Castro (PL) e seus aliados ao tentar viabilizar sua candidatura para o governo do estado em 2026.
Reis lidera um grupo político envolvido em uma suposta falsificação de certificados de vacinação para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em março, o STF (Supremo Tribunal Federal) encerrou a investigação contra Bolsonaro e o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ), irmão de Washington Reis, após a PGR (Procuradoria-Geral da República) não encontrar provas das acusações.
A movimentação de Reis pode causar rachas no bolsonarismo local. O candidato apoiado pelo governador Cláudio Castro, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, tem se aproximado do ex-presidente e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Assim como Bolsonaro, Washington Reis está inelegível. Ele foi condenado pelo STF em 2016 por um crime ambiental relacionado a um loteamento clandestino em Duque de Caxias. Confiante na reversão dessa inelegibilidade, Reis tem investido na sua candidatura, inclusive reforçando sua defesa em Brasília em maio.
Recentemente, o ministro do STF Gilmar Mendes considerou plausível o pedido de Reis, mencionando as controvérsias do processo e que a reparação do dano ambiental poderia ser condição para um acordo.
As ações de Reis têm irritado aliados do governo Castro. O pior momento foi no início de junho, quando Reis anunciou ao vivo uma redução da tarifa do metrô, que foi posteriormente desmentida pelo governador. Deputados da base chegaram a pedir sua exoneração.
Reis afirma que esses episódios não o ofendem e destaca que respeita o posicionamento político do governador, que nunca prometeu apoio a nenhum cargo para ele.
Na última segunda-feira (30), um bate-boca ocorreu na Assembleia Legislativa entre Rodrigo Bacellar e o deputado estadual Rosenverg Reis (outro irmão de Washington Reis), devido à convocação de Washington Reis para explicar a questão da tarifa do metrô.
Além do interesse em governar o estado, Reis tem se aproximado do prefeito Eduardo Paes (PSD), que o chamou de “o professor dos prefeitos” em rede social. Embora não admita publicamente, Paes considera Reis como possível candidato ao Senado, concorrendo com a chapa do PL para o Senado, que tem Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro.
Aliados do governador veem Reis como um político com jogo duplo, mantendo-se em postos no governo, enquanto também se aproxima de Paes.
Washington Reis, que já foi prefeito três vezes em Duque de Caxias, lidera seu grupo político há quase dez anos. Nas eleições de 2024, levou Bolsonaro para comícios em Duque de Caxias para apoiar seu sobrinho, Netinho Reis (MDB), que foi eleito em primeiro turno.
Um acordo com Paes pode colocar Washington Reis ao lado do presidente Lula (PT). Em 2022, Reis era o escolhido para vice na chapa de Cláudio Castro, mas foi impedido pela Justiça de concorrer. Seu substituto, Thiago Pampolha, foi indicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) em maio, fortalecendo o espaço de Rodrigo Bacellar no governo.
Reis enfrenta diversas acusações, incluindo fraude em escrituras de terrenos, supressão de mata nativa para construir um cemitério e suspeita de compra de votos. Ele nega todas as acusações.

