O câncer colorretal é uma doença que não apresenta sintomas claros no começo, mas está aparecendo cada vez mais entre as mulheres no Brasil, sendo um grande desafio para a saúde pública. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) prevê que entre 2026 e 2028, serão diagnosticados cerca de 53.810 casos novos por ano, excluindo os cânceres de pele não melanoma. Entre as mulheres, ele é o segundo câncer mais comum, representando 10,5% dos casos.
Este mês é dedicado a conscientizar as pessoas sobre como prevenir essa doença. Embora os genes influenciem, a maior parte dos casos está ligada aos hábitos de vida das pessoas.
Segundo a oncologista Gabrielle Scattolin, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o câncer colorretal está relacionado à idade, mas também é fortemente influenciado por fatores que podemos mudar, como falta de exercício, obesidade, alimentação com muitos alimentos ultraprocessados e carnes processadas, além do consumo exagerado de álcool.
Nos últimos anos, o estilo de vida mudou muito, o que tem ajudado a aumentar os casos dessa doença entre as mulheres. Rotinas corridas, alimentação pobre em nutrientes e pouca atividade física afetam a saúde do intestino e aumentam o risco de inflamações e alterações que podem levar ao câncer.
Um problema é que o diagnóstico costuma ser feito tardiamente. Sintomas como mudanças constantes no hábito de ir ao banheiro, sangue nas fezes, dores na barriga, anemia sem motivo aparente e perda de peso sem querer são frequentemente ignorados ou considerados problemas simples.
Gabrielle Scattolin destaca que a colonoscopia é fundamental, pois pode detectar o câncer cedo e remover pequenos crescimentos chamados pólipos, que podem virar tumores com o tempo. Geralmente, a recomendação é começar a fazer esse exame entre 45 e 50 anos, dependendo do histórico familiar e orientação médica.
Para prevenir, é importante manter o peso ideal, fazer exercícios regularmente, comer bastante fibras, frutas, verduras e legumes, diminuir o consumo de carnes processadas e não fumar. Essas mudanças ajudam bastante a diminuir o risco de câncer colorretal.
Com o aumento dos casos, a informação é uma ferramenta importante para a saúde pública. O câncer colorretal pode ser prevenido e tratado se for descoberto cedo. As mulheres devem cuidar da saúde do intestino assim como já cuidam da mama e do colo do útero. A prevenção começa com escolhas diárias e com o entendimento de que cuidar da saúde é também um ato de protagonismo feminino.
