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domingo, 29/03/2026

Alerta: álcool e drogas causam danos sérios ao cérebro e saúde

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No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, comemorado nesta sexta-feira (20), profissionais do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) chamam a atenção para os efeitos prejudiciais do álcool e outras drogas no cérebro e no corpo. Mesmo sendo socialmente aceito, o álcool pode causar dependência, danos ao cérebro, doenças graves e até levar à morte, afetando o corpo, a mente e as relações sociais.

Sérgio Cabral Filho, chefe do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Base do Distrito Federal, destaca que o álcool provoca danos sérios ao cérebro e aos neurônios. A síndrome de abstinência alcoólica é uma das mais perigosas, com alto índice de mortalidade. Além disso, o consumo aumenta o risco de comportamentos arriscados, como agressividade, brigas, dirigir alcoolizado ou intoxicação severa que pode causar coma.

Álcool, drogas ilegais e alguns medicamentos agem no sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e incentivando o uso contínuo. Substâncias como heroína e crack têm alto potencial viciante, e algumas pessoas são mais propensas devido a características neurológicas.

A dependência química é uma doença que causa prejuízos progressivos na vida pessoal, profissional e social, com sinais como perda de interesse em atividades prazerosas, isolamento, queda no desempenho e foco excessivo no uso da substância. O apoio da família é fundamental, e o preconceito dificulta a busca por tratamento. Cabral reforça que a dependência tira a liberdade de escolha, mas o tratamento pode recuperar essa autonomia.

Existe uma ligação forte entre dependência e saúde mental. Embora algumas pessoas uso substâncias para aliviar ansiedade ou depressão, a dependência geralmente surge pelo efeito direto no cérebro e pode piorar transtornos como depressão, ansiedade, pânico e psicose. Pessoas com predisposição genética, como histórico familiar de esquizofrenia, têm maior risco, especialmente se começarem a usar cedo. No tratamento, a dependência deve ser prioridade sobre outros transtornos mentais.

Prevenir o consumo entre adolescentes e jovens é essencial, pois o cérebro ainda está em desenvolvimento e é mais vulnerável a danos permanentes. O diálogo em casa e na escola é fundamental para evitar o uso precoce.

Liliana Mendes, supervisora da Residência Médica em Hepatologia do Hospital de Base, explica que o álcool prejudica quase todos os órgãos, causando problemas como doenças do coração, pancreatite, lesões no trato digestivo e doenças graves no fígado, como hepatite alcoólica, acúmulo de gordura, cirrose, hemorragia, acúmulo de líquido no abdômen e câncer. As mulheres são mais vulneráveis pois metabolizam o álcool de forma diferente. Não há quantidade segura para beber; mesmo pequenas doses podem causar inflamação no fígado e agravar doenças como diabetes e pressão alta.

É comum associar transtornos psiquiátricos, compulsão alimentar e álcool, especialmente após cirurgias bariátricas, exigindo acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Campanhas de conscientização devem ampliar o debate sobre esses impactos, além dos riscos no trânsito.

O tratamento da dependência inclui desintoxicação, acompanhamento médico, apoio psicológico e medicação quando necessário. A rede pública oferece atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), com equipes multidisciplinares. A motivação é fundamental, e recaídas não devem desanimar; o importante é continuar o tratamento.

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