O Vice-presidente e Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, garantiu que se reunirá na próxima quarta-feira (16/7) com a Câmara Americana de Comércio (Amcham) para discutir a reversão da taxação de 50% aplicada aos produtos brasileiros. Fontes próximas informam que Alckmin destacará o impacto negativo da medida para a população dos Estados Unidos, anunciada pelo presidente americano, Donald Trump.
“A questão é de grande importância e urgência, com dois focos: produtos perecíveis e outros que já estão em embarque. Por isso, estamos empenhados em buscar soluções. Amanhã vamos nos encontrar com a Amcham e também ouviremos setores como indústria química, cooperativas, confederações da agricultura e pecuária, comércio, empresas de software e sindicatos”, afirmou Alckmin.
A declaração foi dada durante reunião com representantes do agronegócio. O foco foi debater as recentes políticas tarifárias dos Estados Unidos. Embora tenha havido apelo para pedir prorrogação do prazo para início da tarifa, Alckmin descartou essa possibilidade.
Alckmin descreveu o encontro como muito produtivo e reafirmou o compromisso do presidente Lula de promover diálogo para reverter a situação. O governo pretende resolver o problema até 31 de agosto, sem solicitar extensão do prazo.
Ele também lembrou que todos os participantes se comprometeram a trabalhar juntos e recomendou que os setores brasileiros dialoguem com parceiros importadores nos EUA. “Trabalharemos ainda com empresários americanos para mostrar que os prejuízos atingem também a população dos Estados Unidos, dada a interdependência econômica”, completou.
O encontro contou com a presença de diversos ministros e secretários do governo, além de representantes do agronegócio e setores produtivos.
Pela manhã, Alckmin reforçou sua atuação na busca de solução para os aumentos tarifários impostos por Trump. Destacou que o governo já havia iniciado contatos com a Casa Branca após as sobretaxas aplicadas em abril, porém ainda não obteve resposta definitiva.
Alckmin explicou que o Brasil enviará carta reforçando o compromisso de diálogo e a busca por acordos. A tarifa de 50% começará a valer a partir de 1º de agosto, e o ministro permanecerá ativo nas negociações para buscar alternativas.
O governo brasileiro conta também com a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, recentemente regulamentada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A lei permite a adoção de medidas proporcionais em resposta a ações unilaterais de outros países que causem impacto ao Brasil.
Foi criado um comitê interministerial para gerir negociações e definir contramedidas comerciais e econômicas, coordenado pelo ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Entre seus integrantes estão ministros da Casa Civil, Fazenda e Relações Exteriores, responsáveis por acompanhar e decidir sobre as medidas contra as tarifas impostas unilateralmente.