O projeto Águas de Oxalá está em sua segunda edição, celebrando a importância simbólica, espiritual e cultural dos rituais de lavagem, tradições profundamente enraizadas na cultura brasileira. O evento passou por locais emblemáticos como o Complexo Cultural de Samambaia, a Chácara do Pai Jorge, o Museu Vivo da Memória Candanga e finaliza suas atividades na Associação Papo de Mãe, em Samambaia, com oficinas e uma tradicional Lavagem Cultural e Festival de Acarajé.
Idealizado e conduzido por Mãe Francys Baiana do Acarajé, conhecida como Doné Francys de Oyá, o projeto vai além da celebração religiosa, funcionando como um espaço de afirmação cultural, resistência e diálogo. Ele representa um ato público de valorização e respeito às tradições de matriz africana, essenciais para a identidade brasileira, especialmente em um contexto ainda marcado por episódios de intolerância religiosa.
O Águas de Oxalá oferece oficinas gratuitas, com inscrições feitas diretamente com Mãe Francys, abordando o significado, história, vestimentas, musicalidade e culinária da tradição. As atividades culminam nos rituais de lavagens, realizados em cortejos que homenageiam os orixás Oxalá, Iemanjá e Oxum, mesclando elementos do candomblé e do catolicismo, evidenciando o sincretismo religioso brasileiro.
Mais do que um evento religioso, as lavagens simbolizam um gesto coletivo de purificação, renovação e união comunitária. Essas celebrações reforçam a luta contra o racismo religioso e fortalecem a identidade cultural afro-brasileira.
“O fomento público a projetos como o Águas de Oxalá cumpre um dever constitucional de salvaguarda da memória e do patrimônio imaterial do Distrito Federal,” afirma Fernando Modesto, secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Para Mãe Francys, a continuidade do projeto representa um compromisso com o respeito e a visibilidade das tradições afro-brasileiras. “Cada lavagem é um chamado à paz e um posicionamento contra a intolerância. Nossas culturas são parte fundamental da história do Brasil e nosso projeto é um abraço coletivo pelo respeito”, declara.
O projeto é financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e reafirma seu compromisso com a promoção da diversidade cultural e religiosa. Segundo Fernando Modesto, apoiar iniciativas como essa é garantir que os espaços de transmissão desses saberes permaneçam protegidos e acessíveis a toda a população.
