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Economia

Agro reage a críticas dos EUA e busca evitar tarifas extras

Foto: Reprodução/ Biosul

GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS

Representantes do setor agroindustrial e da indústria de biocombustíveis responderam às acusações feitas pelos Estados Unidos contra o Brasil, buscando negociar formas de proteger as exportações brasileiras.

Organizações do setor sucroenergético contestam as críticas americanas sobre a entrada do etanol dos EUA no mercado brasileiro. Exportadores de pescado também pedem que seus produtos sejam excluídos de possíveis tarifas adicionais.

Na última terça-feira (2), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) finalizou a investigação iniciada em 2025 contra o Brasil e sugeriu uma tarifa extra de 25% sobre importações brasileiras nos EUA, com exceções ainda sendo avaliadas.

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A decisão final ficará a cargo do presidente Donald Trump até 15 de julho, após consulta pública e audiência prevista para o início do próximo mês.

Um dos pontos levantados pelos americanos foi o acesso do etanol produzido nos EUA ao mercado brasileiro. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) e a Bioenergia Brasil responderam que a tarifa que o Brasil aplica ao etanol importado segue a Tarifa Externa Comum do Mercosul e não é uma medida direcionada especificamente aos EUA.

Essas entidades também ressaltaram que os EUA mantêm barreiras históricas ao açúcar brasileiro, utilizando tarifas restritivas e cotas que limitam as exportações brasileiras do produto.

“Os Estados Unidos mantêm há décadas políticas de proteção ao açúcar, por meio de um sistema de tarifas proibitivas e cotas que limitam as exportações brasileiras”, afirmaram. O volume autorizado representa menos de 1% das exportações totais brasileiras de açúcar.

Unica e Bioenergia Brasil destacaram que o etanol brasileiro é reconhecido mundialmente por sua baixa emissão de carbono e por ajudar a reduzir gases de efeito estufa, sendo uma opção alinhada às metas globais de energia limpa. As organizações defenderam que quaisquer diferenças comerciais sejam resolvidas por meio de negociações diplomáticas entre os países.

A Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados) pediu cautela antes da implementação das medidas e solicitou que o governo brasileiro tente excluir os pescados de qualquer tarifa extra.

“O pescado não está entre os objetos da investigação da Seção 301. Por isso, esperamos sensibilidade durante o processo público de consulta e uma análise técnica”, declarou o presidente da entidade, Eduardo Lobo.

Eduardo Lobo também pediu que o setor pesqueiro exportador receba apoio do governo caso novas barreiras comerciais sejam impostas pelos EUA.

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que representa os setores de carne suína, aves e ovos, acompanha a proposta norte-americana com atenção e confia no diálogo entre os governos para buscar soluções que mantenham a parceria comercial.

A associação também minimizou os riscos imediatos para carne suína e ovos, afirmando que, apesar de os EUA serem um mercado importante, a proteína animal brasileira está presente em mais de cem países, gozando de competitividade internacional.

Essas manifestações ocorrem em meio a preocupações sobre as consequências da investigação americana, que aborda temas além do etanol, como sistema de pagamentos Pix, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O relatório afirma que essas práticas criariam barreiras para empresas americanas.

A proposta de tarifa extra de 25% passará por consulta pública antes da decisão final da Casa Branca. Enquanto isso, representantes do setor exportador pedem que o governo brasileiro continue negociando com Washington para evitar entraves ao comércio bilateral.

Apesar das preocupações, uma lista ampla de produtos brasileiros já aparece entre as possíveis exceções americanas, incluindo café, carne bovina, suco de laranja, castanhas, celulose, combustíveis fósseis e componentes da indústria aeronáutica.

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