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sábado, 30/08/2025

Agosto Dourado: desvendando o mito do leite fraco

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Amamentar é um momento especial que exige paciência e adaptação para muitas mães.

Algumas criam uma conexão imediata com seus bebês e a amamentação acontece de forma natural.

Para outras, pode ser necessário alguns dias ou semanas até encontrar o melhor ritmo para o bebê, ajustando a posição, frequência e produção do leite.

Nem todas as mães conseguem amamentar como desejam. Problemas como pega inadequada, pouca produção de leite, separação precoce do bebê ou questões de saúde podem dificultar esse processo.

Nesses casos, o apoio de profissionais nas Unidades Básicas de Saúde, maternidades e Bancos de Leite é essencial para orientar e buscar soluções seguras.

O significado do Agosto Dourado

Este mês é dedicado a valorizar a amamentação. A cor dourada representa o leite materno, considerado o alimento ideal para os bebês.

Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a amamentação exclusiva deve ser incentivada nos primeiros seis meses e pode continuar até os dois anos ou mais, conforme indicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.

Além dos nutrientes, amamentar fortalece o laço entre mãe e filho, sendo também um momento de cuidado emocional.

Doar leite é um ato de amor

Sofia Mesquita Resende de Andrade, de 27 anos, conta que após ter seu filho produzia muito leite, o que a deixava aflita.

“O que me fez querer doar foi o excesso que tive. Já produzia leite na gravidez e, depois do parto, aumentou muito. Eu ficava desesperada porque meu filho se engasgava e eu sofria junto”, disse.

Para ela, doar trouxe um novo sentido à situação.

“Quando descobri que podia doar, percebi que aquele leite tinha vida. Foi uma bombeira que veio pegar a doação que explicou isso pra mim. Antes eu jogava tudo fora, mas entendi que não importa a quantidade, e sim o valor da doação.”

Sofia afirma que doar mudou sua visão sobre a maternidade:

“Com certeza, é um gesto de solidariedade, mais do que ajudar é estender a mão a outra mãe em um momento difícil. É demonstração de amor e humanidade.”

Também disse que a doação fortaleceu o vínculo com seus filhos:

“Doar leite mudou minha relação com a amamentação. Via meus filhos crescerem e entendia a importância do que fazia. Tinha amigas que não conseguiam amamentar, e ajudar com o leite que sobrava reforçou esse laço, não só com meus filhos, mas com outras crianças. Nunca conheci essas famílias, mas ouvir relatos de mães na UTI foi emocionante.”

Como funciona a doação

Graça Cruz, coordenadora do Banco de Leite Humano, explica que muitas mulheres doam ao perceber que produzem mais leite do que o necessário para seus bebês.

“A maioria descobre que pode ajudar quando percebe que produz além do que o bebê precisa. Algumas doam por terem filhos internados que precisam de apoio. Outras se sensibilizam com campanhas.”

O processo requer cuidados de higiene e armazenamento adequados.

“A mãe deve cobrir a cabeça, usar máscara, lavar bem as mãos e limpar as mamas só com água. A coleta pode ser manual ou por bombinha. O leite deve ser guardado em frasco esterilizado, identificado e congelado rapidamente. Pode permanecer até 10 dias antes da coleta.”

Para doar, a mãe pode procurar o site Amamenta Brasília, o telefone 160 (opção 4) ou o Portal do Cidadão. O banco fornece o kit com frascos e orientações.

Graça ressalta que doar é um ato de solidariedade e retribuição. Mães são motivadas pelo excesso de leite e pelo desejo de ajudar famílias com bebês internados.

No Distrito Federal, existem 14 Bancos de Leite Humano e 7 Postos de Coleta, além do apoio de equipes em Unidades Básicas de Saúde e maternidades.

Desafios no Brasil

Apesar dos avanços, ainda há obstáculos para cumprir as metas da OMS. Um estudo nacional mostrou que 96,2% das crianças abaixo de dois anos foram amamentadas, mas só 62,4% receberam leite materno na primeira hora de vida. A maioria é alimentada exclusivamente até os três meses e para de receber leite materno após 14 meses.

Regionalmente, o Sul tem maior índice de aleitamento materno exclusivo (54,3%) e o Nordeste, menor (39%).

Mitos e verdades

Mesmo sendo o alimento mais completo, a amamentação ainda sofre com mitos. A professora de nutrição do CEUB, Dayanne Maynard, esclarece:

“Não existe leite fraco. O leite materno é sempre nutritivo, adaptando-se aos cuidados e necessidades do bebê. O que conta é o estímulo correto e a demanda da criança.”

Ela também esclarece falsas crenças:

“O tamanho da mama não define a produção de leite, que depende do tecido glandular e não do gordura. Nem leite nem cerveja preta aumentam a produção. A cerveja é perigosa, pois o álcool passa para o leite e pode prejudicar mãe e bebê.”

Dayanne complementa que o leite materno é valioso mesmo após seis meses:

“Continua sendo fonte rica em nutrientes e em fatores de proteção, mesmo com a introdução de outros alimentos.”

O obstetra Alécio Oliveira, professor de Medicina do CEUB, destaca as mudanças no corpo da mulher durante a amamentação:

“Com amamentação frequente, a prolactina se mantém alta, atrasando ovulação e menstruação, o que é natural e pode durar meses.”

Porém, alerta que a amamentação não é método contraceptivo totalmente confiável:

“Apesar deste efeito em muitas mulheres, não é um método anticoncepcional 100% eficaz.”

Impacto na vida íntima

Oliveira comenta que muitas mulheres sentem redução da libido pela elevação da prolactina e queda do estrogênio. Também o cansaço e a rotina intensa influenciam. Por outro lado, a ocitocina liberada na amamentação pode trazer prazer e bem-estar.

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