O Ministério da Saúde treinou mais de 260 Agentes Indígenas de Saúde (AIS) dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) da Bahia, Ceará e Pernambuco para apoiar e orientar gestantes indígenas a partir da 28ª semana de gravidez sobre a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Este vírus é responsável por causar 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças pequenas.
O treinamento abordou informações sobre vacinação e formas de identificar, prevenir e orientar sobre o VSR. A vacina administrada às gestantes ajuda a transferir anticorpos para o bebê, protegendo-o nos primeiros meses, quando está mais suscetível ao vírus. A vacinação será feita diretamente nas aldeias, integrando o atendimento dos profissionais de saúde locais.
Os AIS são fundamentais nas comunidades, pois vivem nas aldeias e atuam como ligação entre a população e as informações técnicas, devido à confiança que possuem dos moradores. A vacina contra o VSR começou a ser distribuída nos territórios indígenas em dezembro de 2025 e está incluída no calendário nacional de vacinação para gestantes a partir da 28ª semana, sem limite de idade. A meta da Secretaria de Saúde Indígena é vacinar todas as gestantes cadastradas no sistema de saúde indígena.
Putira Sacuena, diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena (DAPSI), ressaltou que o senso de cuidado coletivo das comunidades indígenas fortalece a prevenção e o apoio. “As comunidades indígenas têm um forte espírito de cuidado coletivo, que potencializamos com treinamentos como este. Fortalecendo o trabalho dos Agentes de Saúde, ampliamos a proteção das gestantes e das crianças contra doenças como o Vírus Sincicial”, afirmou.
Flavio Kaimbé, coordenador do DSEI Bahia, destacou a importância dos AIS para levar a proteção às comunidades. “Os AIS conhecem profundamente seus territórios, orientam as famílias e fortalecem os vínculos entre a comunidade e as equipes de saúde. Apoiar essas pessoas é fundamental para oferecer um cuidado completo na atenção primária”, disse.
Lucas Guerra, coordenador do DSEI Ceará, enfatizou a importância de parcerias entre os distritos para trocar experiências e fortalecer a saúde indígena globalmente.
Os DSEI da Bahia, Ceará e Pernambuco acompanham juntas 1.199 gestantes, com a maioria realizando pelo menos seis consultas pré-natais: 68,3%, 94,2% e 88,4%, respectivamente. Além da vacinação, o acompanhamento do pré-natal é essencial para a saúde das mães e dos bebês.
A vacina, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), teve sua tecnologia transferida para produção nacional em parceria assinada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em novembro de 2025. A distribuição é organizada pelos estados e municípios, com aplicação em unidades básicas de saúde e locais de vacinação.
Este imunizante pode evitar cerca de 28 mil internações por ano, beneficiando aproximadamente 2 milhões de recém-nascidos no Brasil. O vírus causa atendimento ambulatorial para uma em cada cinco crianças infectadas, e hospitalização para uma a cada 50 crianças com menos de um ano. No país, são cerca de 20 mil hospitalizações anuais de bebês devido ao vírus.
Com informações do Governo Federal
