TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
A Justiça de São Paulo condenou nesta sexta-feira (20) o agente penitenciário David Moreira da Silva, 42 anos, pelo assassinato de um líder e um membro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em dezembro de 2021. Esse crime causou uma onda de vingança que resultou na morte do delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, morto a tiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, três anos depois.
Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, e Antônio Corona Neto, apelidado de Sem Sangue, foram mortos a tiros enquanto estavam dentro de um carro na Vila Formosa, zona leste de São Paulo. Um atirador sacou uma pistola automática e fez cerca de dez disparos. Os dois morreram no local.
David Moreira da Silva foi acusado de ser o intermediário entre Gritzbach, apontado como mandante do crime, e o executor, Noé Alves Schaun. A defesa de Silva disse estar muito insatisfeita com a decisão da 1ª Vara do Júri do Foro Central da Capital. Silva nega ter participado das mortes.
Os advogados de Silva afirmaram que a condenação não reflete a evidência necessária para uma condenação criminal, apontando fraqueza nas provas, depoimentos inconsistentes e dúvidas na cadeia de custódia das evidências.
Silva é o único réu vivo no caso. Menos de um mês depois do duplo assassinato, Noé foi morto e teve a cabeça decepada exposta em uma praça no Tatuapé, também na zona leste de São Paulo.
Ao lado da cabeça havia uma nota dizendo que ele foi morto em vingança pela morte de Cara Preta e Sem Sangue. Gritzbach era réu no mesmo processo quando foi assassinado.
Cara Preta era considerado líder da facção e foi citado em investigações sobre lavagem de dinheiro do PCC. A polícia disse que ele e outros criminosos tinham participação em uma empresa de ônibus na zona leste de São Paulo.
Uma investigação afirmou que Cara Preta teria dado US$ 100 milhões para Gritzbach investir em criptomoedas, mas o dinheiro desapareceu.
A polícia indiciou Silva, Gritzbach e Noé pelo crime. O delegado responsável, Fabio Baena, e outros seis policiais foram presos e acusados de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e outros crimes.
Os policiais são acusados de atrapalhar a investigação da morte de Cara Preta, exigindo dinheiro e relógios de luxo em troca.
A defesa de Silva diz que a prisão dos policiais coloca dúvidas na credibilidade dos depoimentos contra ele.
As provas contra Silva incluem ligações telefônicas com Noé e um depósito bancário feito por um parente de Gritzbach. Silva mudou suas versões durante os depoimentos.
Gritzbach negava envolvimento no assassinato e dizia que estava sendo incriminado por conluio entre policiais e membros do PCC.
O júri decidiu com quatro votos a favor e três contra a condenação. Silva foi condenado a 34 anos de prisão em primeira instância, com possibilidade de recurso.
